24 de outubro de 2010

Do silêncio...

 Aqui no silêncio das minhas palavras deixo-me ficar... nesta pausa do nada arrasto-me lentamente, só com os meus pensamentos, em turbilhão, um reboliço de emoções que me prendem ao presente, me levam ao passado, e me transportam para o futuro… sem saber em que tempo ficar, sem me deter no tempo que parece que já não tem tempo de acontecer, sem saber ou perceber o que este me quer dizer… e do silêncio emergem as imagens de um eu diferente, num espaço de cortar a respiração, de deixar um nó na garganta sem saber como desata-lo… sinto-me presa numa teia de sentimentos, entre ir ou ficar, entre deixar de ser e voltar a nascer, num sentimento de culpa pelo sofrimento que causo pela minha passagem, sem forma de voltar a colocar as peças no seu devido lugar... procuro-me e parece que tantas vezes não me vejo dentro de mim, deixei-me ir com as lágrimas da solidão que serpenteiam o meu espírito, e adormecem a alma, cansada de viver aqui dentro, num anseio desmedido de deixar-me partir... 

2 comentários:

Miguel disse...

um turbilhão de palavras, um emaranhado de sentimentos tão diversos e inconstantes e tão tão familiares. Não há pior juíz de nós mesmos do que a nossa própria consciência, tantas vezes cega, tantas vezes injusta mas raramente branda.

Sus disse...

Miguel,
É isso mesmo, arriscava dizer que não há nada mais "cruel" que a nossa própria consciência.

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