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15 de fevereiro de 2016

Saudades....


Há dias assim...
Em que a lágrima cai no silêncio das horas...
Em que tomba no chão e se faz eco na alma.
Há lugares onde se escondem as dores
Soterradas de sorrisos, pintalgadas de laços desfeitos em abraços...
Há destinos trocados, cruzados no etéreo do céu de onde brotam pedras de gelo picado...
Há pedaços amargos engolidos com saliva e sofucados pela mão da saudade...
Há.... Há dias assim...

23 de fevereiro de 2012

Sonho (im)perfeito!

Embriaguez cortante de amor em vão
Talhada em ti, na ponta dos meus dedos
Afogada nas lágrimas em desespero
Corro, quebrando feitiços, atravessando pontes
Vencendo medos, ingerindo venenos
Sem ti… sozinha
Dançando no negro das horas por vir
Enamorada pelo feitiço do teu olhar
Num beijo perdido no infinito…
Agarrada às esperanças desenhadas pela tua mão
Leves carinhos na minha face sofrida
Mãos que afagam a lágrima que escorre lentamente
Puro deleite em submissão de corpos
Luz que encandeia o olhar meu
Soterrado no teu sagrado e belo corpo
Moldura da alma perfeita, aquela que foge ao meu toque
Ao meu veneno, ao meu deslizar sombrio
Da boca que te oferece desejo ruborizado
(En)Canto melodioso gravado em acordes de cetim
Trocas de cicatrizes, misturas e fusão de cheiros…
Entranhados na memória, aquela que perfizemos um dia
Na sombra do sol...
Promessas…
Semeadas em traços rectos, em contra curvas delineado
De sonhos quebrados, de barreiras derrubadas
Constantes dores mastigadas pelo destino
Numa avalanche sem fim!

8 de agosto de 2011

Cinzas...

Num bailado incandescente de saudade
Choro os dias que ainda não desfaleceram
Cansados, sedentos da seiva que te alimentam!
Canto lamentos escorridos na alma
Doces, (en)cantos de um olhar teu...

Rodopiando incansavelmente te espero
Para voltar a beijar, sentir de novo o toque...
Da melodia triste que canta meu coração!
As lágrimas pintam-se no meu rosto frio, inerte
Preso no cais do tempo, amarrotado, rasgado...

Anseio perder-me em encantos teus!
Guardo acordes surdos do silêncio dos teus beijos
E nas mãos o perfume das rosas derramadas!
Em explosões cadentes de sentidos, inalo o perfume teu
Danço ao sabor enclausurado da memória...

Em vertiginosas sensações entrelaço-te no corpo e na alma
Aperto-te no peito contra os espinhos cravados!
Morro aqui, cinzas de um fogo ardente, perdidas ao vento
Tinta pintada pelos meus dedos (des)crentes
Poema esquecido no meu infinito ser!

19 de julho de 2011

Um pedido apenas!

Cantai, cantai, as harpas no universo imenso
Oh! Chama de um Deus perdido
Luz do meu olhar, fervor da minha carne
Dai-me a mão, num toque celestial
Como estrelas aladas da noite
Neste frio que o vento traz de volta
Embala-me a alma, numa sinfonia hipnotizante
Deixa tocar sem parar…
E faz-me juras de amor eterno!
Tocai, tocai, os sinos do meu coração
Oh! Beleza singela de um Anjo
Que de rosas me cobres, como vestes de veludo
Cor de púrpura, cor da paixão
Aquela que vagueia livremente pelas estradas solitárias
Das entranhas que me fazem tremer
Vestidas de grinaldas dos roseirais selvagens
Fecha os olhos e mergulha no sagrado perfume
Do meu corpo, escravo do pecado
Deste desejo voraz de apenas te tocar
Dançai, dançai, a valsa da meia-noite
Oh! Ave selvagem, de rugido felino
Leva-me a voar nas asas das tuas carícias
No calor que me enternece os seios
Dos abraços infindos que os teus olhos me enlaçam
Na pureza virginal de uma lágrima por derramar
Canta-me pela madrugada… palavras
De estremecer, da luxúria encerrada em teus lábios
De voz trémula, a sussurrar baixinho
- Dá-me apenas um beijo!

12 de junho de 2011

Um silêncio parado no tempo...

No meio do nada, sento-me no escuro…
O sol já fechou os olhos, e se foi…
Esvaindo-se em minutos prolongados, pelo esquecer das horas
Ao longe o uivo do lobo ecoa no horizonte
Acorda a noite lentamente…
Um manto estrelado vai cobrindo de negro a noite
sob a luz de uma lua brilhante bem lá no alto
Sinto nas minhas mãos o gosto da terra que me pertence
e o leve abraço dos sons que me circundam
Um olhar se eleva aos céus, num pedido aos deuses e aos anjos
um leve  piscar de olhos, uma lágrima se solta…
silenciosa pelos restos mortais... das folhas secas que voam ao vento
E o silêncio invade… a floresta adormecida que me rodeia
e no sussurrar do vento apenas os grilos cantam
na profundidade da noite...
E a terra, senhora de mim, murmura uma canção de embalar
em acordes delicados e cintilantes espalhados pelo luar
Fecho os olhos… Solto o espírito livre ao vento!
Que voa em liberdade…
Rodopiando em piruetas que ora sobe uma escalada
rasante ao meu corpo inerte, ora desce à imensidão do universo!
Trilhando em passos perfeitos, um voo ondulante…
pelas copas das árvores, sentindo o doce perfume
do respirar do bosque e da brisa nocturna que me beija o rosto
E danço, embalo, evado-me (e)ternamente…
de asas abertas no sonho, no éter dos meus sentidos
no sorriso aberto da noite, na terra de encantar!

4 de junho de 2011

Flashback!

 Pausadamente... passeando os dedos pela memória
Como quem saboreia uma fruta suculenta
Onde os minutos, as horas e os dias permanecem imortais
Onde a alegria é estática e eternizada, e aflora num sorriso
Onde os dedos se entraçam nas imagens da alma
Com as linhas do destino já percorrido…
Vagarosamente…
Lentamente…
Num flashback em câmara lenta…
Perdendo-se no rabiscado das sombras
Dos momentos vividos, sonhados, sentidos…
Como um bálsamo perdido no tempo, num reviver de emoções
Que o passado já trancou no espaço dos sonhos
E numa dança irreal o espírito se eleva noutra dimensão
E volta a ser, a sentir… cada gosto, cada desejo, cada sensação
Experimentados pela primeira vez, como um renascer continuo…
Que cresce e se agiganta…
Em cada estremecer, em cada olhar trocado,
Em cada toque sentido… numa sintonia precisa, perfeita
Num encaixe milímetro a milímetro em cada curva que se encontra
Onde o olhar toca na alma num simples gesto
Cruzando-se perfumes idílicos, misturando-se em cores e sabores
Num gemido profundo…

22 de maio de 2011

No vazio das minhas mãos...

Quando a noite se cobre de estrelas, e a luz da lua me ilumina o olhar, sobram pedaços de nuvens nas constelações da memória onde bailo contigo de mão dada. Onde o espaço dos teus dedos se entrelaça entre os meus numa dança sensual e dourada pela estrada solitária do coração, residente da alma, que flutua nos raios dum sol nascente nas profundezas do ser. E nos movimentos leves dum som não proclamado, prendo-me nas salgadas saudades de te tocar, do perfume que perdura colado na minha pele alva, do desejo deixado na minha boca. E num suspiro lançado ao vento, revivo nas asas do sonho, duma história inventada por viver, onde o tempo já não tem presa de chegar, onde pára para me acolher, onde me abraça e me envolve num doce desejo, onde as sombras se escondem, as palavras fazem sempre sentido, onde danço com as mãos vazias e plenas de mim, onde as emoções mais fortes são senhoras da vida, rainhas do universo e a nefasta melancolia dos dias, a paranóia de ser e ir mais além não têm mais razão de ser nesta existência, onde tudo é perfeito, e nada mais há a acrescentar…

2 de abril de 2011

Momentos...

Um gemido...

Um balão a pairar
num passeio de jardim
um encontro ao luar
com cheiro de jasmim!
Uma rosa oferecida
por um sorriso invadido
numa ponte estabelecida
de um vazio preenchido!
Um encanto encontrado
num sussurro escondido
num abraço apertado
por um toque atrevido!
Uma palavra silenciada
de um sonho entrelaçado
uma memória partilhada
num silêncio murmurado!
No escuro um segredo
de um olhar molhado
uma dança sem medo
num beijo demorado!
Uma alma nua
um corpo despido
minha boca na tua
num orgasmo sentido!

...num momento de ternura!


Participação no tema de Abril

27 de janeiro de 2011

Pelo caminho da saudade...

Na beira da estrada,
a alma grita em agonia
desassossegada,
pela ausência, pela falta…
Do acetinado toque dos teus dedos
que em silêncio se entrelaça ternamente,
que desenhando novos traços curvilíneos,
terminam num abraço que reconforta!
Perdida no brilho do teu olhar puro e doce,
que toca o meu coração de mansinho,
percorre cada canto do meu corpo
um singelo arrepio inimaginável!
E num assalto inesperado de desejo
a tentação invade o caminho da imaginação
ao escutar um sussurro leve e suave
cantado baixinho ao ouvido,
onde de olhos fechados,
ecoa como uma melodia sem fim!
Explodem sorrisos intensamente partilhados!
Embriaga-se o espírito na fusão das memórias
das emoções conhecidas e desconhecidas
que se fundem em suspiros de ternura!
E é como um raio de sol,
que acaricia uma manhã de primavera
o som da lembrança profundamente sentida
do calor daquele beijo demorado
que como por magia acordou todos os sentidos
unindo os corpos e as almas!

4 de janeiro de 2011

Quero ser!

"Quero ser o teu amor amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amor amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias..."

Fernando Pessoa

23 de dezembro de 2010

Começa... e não termina!

Começa não sei onde…
Num gesto invisível que se sente na alma…
Num toque suave que se sente na mente…
Num som silencioso que se ouve no coração…
Numa dança envolvente de palavras…
Numa certeza do sentimento que se sente…
Numa troca envergonhada de olhares…
Num leve toque de dedos…
Num beijo tímido trocado…
No calor dum abraço apertado…
E avança profundamente…
Num desejo crescente de estar…
Num desejo crescente de tocar…
Num desejo crescente de amar…
Na dor infindável da saudade…
…e não termina mais!

13 de dezembro de 2010

Sonhando de olhos aberto!

Fecho os olhos…
E retorno ao sonho…
Sinto o teu perfume suave…
que ficou colado no meu corpo
inventado pelo toque dos teus dedos
e que embriaga a minha memória de ti!
Sinto o teu gosto doce…
entranhado no sabor da minha boca
das carícias profundamente sentidas
da fusão de cada beijo trocado!
Sinto o teu olhar sincero…
que me leu a alma de um só trago
desvendando segredos
nas palavras que ficaram paradas em mim!
Sinto o teu abraço apertado…
das tuas mãos nas minhas
que se encontraram uma e outra vez
numa dança desigual!
Sinto o calor do teu corpo…
entrelaçado nas curvas do meu
numa junção quase perfeita
num arrebatado encontro de desejos!
Sinto o som quente da tua voz…
que no silêncio embala as lembranças
do teu olhar, do teu toque, do teu beijo
embrulhadas num abraço inundado de amor!

3 de dezembro de 2010

Em poucas palavras...

Foram poucos os minutos contados pelo tempo…
Foram tantas as palavras trocadas pelo nosso olhar…
Fomos a perca e o ganho do estremecer das horas…
Fomos apenas e só um fio de prata ao luar…
Fomos tanto e tão pouco…
Perdi-me no teu rosto espelhado em alegria…
Perdi-me nas frestas dos teus abraços apertados…
Perdi-me e voltei a encontrar-me…
Fomos poema e versos soltos no ar…
Fomos a brisa do monte e os raios de sol…
Fomos alma e corpo em sonhos de encantar…
Fomos tanto e tão pouco…
Perdi-me no entrelaço das nossas mãos…
Perdi-me no leve conjugar do verbo amar…
Perdi-me e voltei a encontrar-me…
Fomos…
E agora somos saudade no silêncio da distância…

10 de novembro de 2010

Sinto-te!

Toco-te suavemente…
pelos intervalos das palavras
que enchem o traçado dos dias que passam
no embalo lento das horas!

Guardo-te...
no silêncio da memória escondida
dos beijos doces trocados
ao som dos dias quentes de verão!

Sonho-te calmamente…
como quem desenha curvas rectas
com a ponta dos dedos
pelo deslizar do teu sorriso!

Tenho-te...
entre a areia fina do meu pensamento
nos rasgos mal traçados 
nas linhas vazias das minhas mãos!

Abraço-te carinhosamente…
nos braços do ar que circula livremente
entre os arrepios da alma
que cruzam o meu e o teu sentir!

5 de novembro de 2010

Saudade

Quando a saudade nos joga no passado, abrindo feridas antigas e nos prende a respiração, riscando um traçado tão forte que é impossível deixar de sentir, esquecer o gosto amargo do que foi e já não é, e este nos engole sem resistência.
Quando a saudade nos assalta o pensamento e cava um buraco no peito, lá no mais fundo de nós, ficando um vazio sem medida, um nó na garganta  que nos amarra a voz e nos rouba a vontade de voltar a sonhar.
Quando a saudade é tão grande que não cabe mais no peito, preenchendo todo o espaço do corpo e se esvai em lágrimas silenciosas, que dilaceram o coração não sobrando espaço para mais nenhuma forma de sentir.
Quando a saudade deseja o que não é possível ter, quando se transforma em declínio dos dias que passam sem que possamos agarra-los mais, deixando vagarosamente passar o futuro, sem travão, sem freio, sem condução certa, como um barco, de velas rasgadas, à deriva no mar que se perdeu no meio da tempestade
Quando a saudade bate e não conseguimos nos livrar dela…

1 de novembro de 2010

Paixão...

Nasceu do improvável
do inacreditável
rodeada do nada,
no obscuro da alma!
És meu vicio!
Meu sonho impossível!
Moras nas entranhas do meu ser
na casa vazia do sentir
num tempo perdido…
do que não volta mais!
Ultrapassamos a razão
o improvável
o desejável
o pecado
a barreira dos limites do irreal!
Estendemos as mãos
e tocamos no sonho…
abrimos as almas
desvendamos mistérios
jogamos na incerteza
e apostamos na loucura!
Simplesmente…
amamos os corpos
num singelo toque de emoção!

29 de outubro de 2010

Sinto...

Saudade,
no meio do peito semeada,
aconchegada nos meus braços
sinto-a tão perto,
tão sufocante
esta vontade de voltar a sentir…
um afago em meus cabelos
uma voz doce em meus ouvidos
um carinho dum abraço
um amor!
Fecho os olhos…
e invento sorrisos,
laços de cetim em palavras incertas
e deixo-me ir…
na paixão sonhada
contida na imaginação do fogo
que queima nas entranhas do ser!
Dentro de mim
há um abismo, um vazio
que não pode ser visto
nem tocado
de uma profundidade não calculada!
E se busco em mim mesma
encontro o nada,
a loucura,
o medo,
o silêncio,
a ausência de mim…
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