Quando o passado nos atropela de forma alucinada, faltando o ar, que apressadamente desce garganta abaixo, e provoca uma contracção involuntária no peito. Quando tudo o que queremos é parar, simplesmente parar... quando as lembranças do que fomos, da simplicidade que nos envolve a alma se solta e nos envolve de nostalgia, e nos faz lembrar o quanto já demos de nós ao universo, e o quando ainda iremos dar. Quando queremos reter o mundo nas mãos. Quando achamos que conseguimos engolir o sistema planetário de um só trago e devolver a paz às entranhas crucificadas pela tortuosa caminhada. Quando tudo o que queremos é do tamanho inexorável de um bago de arroz, e chegamos à conclusão que os sentimentos pequeninos não têm a importância que lhe atribuímos. Quando tudo o que queremos se resumo a uma pluma largada no vento, suspensa no imaginário do nosso subconsciente. Quando dentro de uma mão cabe todo o nosso mundo, pequenino, mas cheio de tudo o que de mais precioso e frágil possuímos. Quando achamos que estando no chão, ainda nos podemos enterrar mais um pouco, ainda nos sobra forças para lutar contra o irreal, contra o nunca imaginado. Quando toda a dor cabe numa lágrima derramada silenciosamente no escuro. Quando tudo o que queremos, sentimos é... FUGIR!
Participação no tema de Agostoo




