12 de março de 2012

Veneno mortal!

A luz difusa da lua desenha…
Sombras no soalho gasto, riscando de prata o mar
Corpos molhados saídos do banho
Enrolados na toalha perdida num salão de prazeres…
Corpos que se olham, aproximam, descobrem
Suspiros soltos no ar… numa sala vazia
Olhos que se fecham e tocam num abandono embriagante
Num tapete enrugado, testemunha transparente do amor
Peles arrepiadas que se roçam, apertam e desejam
Dedos que se passeiam, bocas sedentas de amar
Dança ritmada que desperta a luxúria
Vontade voraz de fusão… adormecida
Entre os pingos de água que caiem no chão…
Amante silencioso do desejo
Sugado entre as unhas que riscam a pele
Molhada de suor, línguas que se encontram
Saboreiam, consomem desejos latejantes
Alimentam gemidos (des)controlados, alucinados
Olhares que se unem, em corpos penetrados
Jogo de forças divididas, partilhadas
Em toques percorridos em silêncio
Tremores afogados em orgasmos repetidos
Galopados em (des)compassos fortes, firmes
Bailado sem fim, perdido entre suores e salivas
De um amor ansiado, desejado, urgente
Tecido nos sonhos, nas fantasias de olhos fechados
Bocas que se trocam em prazeres, de corpos abandonados,
Cúmplices, esmorecidos em explosões finais
Dessa mistura de veneno mortal

23 de fevereiro de 2012

Sonho (im)perfeito!

Embriaguez cortante de amor em vão
Talhada em ti, na ponta dos meus dedos
Afogada nas lágrimas em desespero
Corro, quebrando feitiços, atravessando pontes
Vencendo medos, ingerindo venenos
Sem ti… sozinha
Dançando no negro das horas por vir
Enamorada pelo feitiço do teu olhar
Num beijo perdido no infinito…
Agarrada às esperanças desenhadas pela tua mão
Leves carinhos na minha face sofrida
Mãos que afagam a lágrima que escorre lentamente
Puro deleite em submissão de corpos
Luz que encandeia o olhar meu
Soterrado no teu sagrado e belo corpo
Moldura da alma perfeita, aquela que foge ao meu toque
Ao meu veneno, ao meu deslizar sombrio
Da boca que te oferece desejo ruborizado
(En)Canto melodioso gravado em acordes de cetim
Trocas de cicatrizes, misturas e fusão de cheiros…
Entranhados na memória, aquela que perfizemos um dia
Na sombra do sol...
Promessas…
Semeadas em traços rectos, em contra curvas delineado
De sonhos quebrados, de barreiras derrubadas
Constantes dores mastigadas pelo destino
Numa avalanche sem fim!

23 de janeiro de 2012

Doce pecado!

Segura-me na mão, sedução escondida do desejo!
Rosas oferecidas, de espinhos sangrados
Flutuo ao sabor das tuas palavras, anseios, pensamentos...
Ah! Sorte prometida na loucura da eternidade!
Incesto de união imortal, aquela que me aperta a alma...
Um encontro prometido pelo teu olhar
Portal de um mundo utópico, de uma só cor
Negro, como a noite que nos envolve nos braços
Desse desejo (in)finito de te tocar, levemente...
Choram as vozes da (in)consciência, da razão ou da loucura...
Alternam-se os pedidos aos deuses, desse mágico
Murmurar silencioso de toques incompreensíveis ao comuns mortais...
Shssss...
Sopra o vento ao meu coração, a tua canção esquecida...
Perdida no tempo da inocência, aquela que se perdeu na morte
Onde as vozes da noite suspiram pecado...
Perdida nas sombras do teu sonho!
Doce veneno que me percorre as veias!
Dá-me a mão, aquela que não mais largarei no tempo
Esse que nos embala os dias, de trocadilhos insanos
Palavras coladas ao céu da boca, onde nascem as paixões
De sonetos encantados pelo amor... translúcido nesse olhar teu
Mistura de inocência e fogosidade de menino
Esse misto de homem que encanta e atrai, numa armadilha enredada
Nas malhas obscuras do sonho perdido!

22 de dezembro de 2011

Feliz e Santo Natal para todos!

E um Novo Ano 2012 cheio de alegria, saúde, paz e harmonia!

11 de dezembro de 2011

Floreados do teu(meu) amar...

 Corpo vil, anal conjugado do verbo amar…
Abraços pendurados nas palavras vadias, amantes em êxtase
Furores ardentes perdidos entre gemidos e gestos
Provocantes, enrolados, aninhados na fogueira da mente
Escondida de mim (ti) na sombra virgem dos
Amantes cúmplices em silêncio, como leves beijos…
Pousados em meus lábios, onde tocas levemente com as palavras feridas
Inocentes armas de arcanjo, num beijo mortal transformado…
Bailado ancestral do devir dos caminhos cruzados
Na esfera empírica de uma dimensão platónica do ser
Onde combatemos olhares e trocamos gestos na magia celestial
Rasgas as vestes desses muros altos, embrulhados em cetim vermelho
Ventre meu, que te recebe e acolhe, entre (a)braços apertado…
Buscas-me nos teus vazios, na dança imaginária da saudade
Onde sentes uma faúlha do fogo incandescente
Que me(te) veste as profundezas da alma
Aconchego-te o rosto entre estas mãos de palavras desenhadas
Pelo ar que respiro em ti, nesse perfume embriagado por cada poro teu
Como pétalas douradas, penetrado nos meus recantos mais longínquos
Onde habitam(s) apenas, e só… recortes (in)certos
De um sonho de mulher encerrada nesta pele que respira ousadia
Provocação insana descoberta pelos lençóis da luxúria
Escrevo-te na palma das mãos com a ponta dos meus dedos
Onde deslizo na penumbra da noite…
Confesso! Palavras insuficientes para descrever os gritos dos gemidos
Que percorrem a noite aveludada dos sonhos
Nesse visceral deleite enrolado no enlace das almas
E bebo desse veneno cristalino, adocicado pelas vestes do desejo
Poesia acesa na ponta dos dedos
Estes que te cobrem de poemas, na madrugada
Onde se perdem em arrepios, na timidez dos dias
Envergonhados pelo rubor da paixão
Corpos esculpidos e talhados pelo formão do tempo
Como o vento subindo as janelas e contornando as pinturas já gastas
Pela erosão do temporal lânguido de um dedilhar
Rendilhado, lambido pelo rubor encantado dos corpos nus
Esgrimindo a latência do despontar desejo de me perder em ti!

17 de novembro de 2011

Mentiras (ir)reais!

Circulo…
Neste bailado entre o sagrado e o profano
Caminhando lado a lado em cima de um muro
Estreito, esguio, frágil… arame farpado do destino
Enrolado nas nossas mentes, rendilhado de espinhos
Vontades puras, incandescentes, cadentes…
No torpor dos desejos e anseios (ir)reais
Sinto-me desmaiada, nesta dormência cansativa
Das vozes, no meio da tua, delicada, sensível
Arrisco um estender de mão, onde os intervalos dos teus dedos
Se entrelaçam nos espaços dos meus!
Ofereço-te os lábios, portas rosadas do pecado
Segura na (in)certeza de cair na tentação
Pára, avança, pára, avança… nesta constante corrida contra o tempo
Inventado e engolido nos segundos em que os meus olhos
Se perderam nos contornos da neblina dos teus.
Divino fascínio da alma, resoluta escritura lida em voz alta
E espalhada numa pauta escrita pelo vento
Senhor das horas perdidas, aquelas que fiquei a olhar o horizonte…
Deambulo…
Nos abraços sonhados e nunca dados!
Nos beijos desejados e nunca provados!
Esquecidas mentiras dissolvidas no futuro quebrado!
Oh lua branca! Redonda, que iluminas a alma dos poetas
Que nos silêncios da noite vagueiam na folhagem do mato!
Inspiração divina, que me banha o coração de luz!
Ajoelhe-se a luxúria entre os corpos amados
Perdida em suores e lânguidos orgasmos, no salgado ardor da paixão!
Essa, que se perdeu entre as tuas palavras soletradas ao ouvido
Cantadas em notas altivas, em forma de gemidos da alma…
Nos desejos, nas vontades, nas contradições que minam o pensamento
E o sangue percorre-me as veias em reboliço
Assalta-me o coração de dúvidas, e espasmos (in)constantes
Numa timidez ruborizada, que roça essa certeza de te querer!

8 de novembro de 2011

Sim, sou eu...

 Sim, sou eu, aqui, e agora, sou sempre eu, profunda, nas palavras, nos sentires, nas descrições, na beleza com que desenho palavras nas mãos e as carimbo neste papel negro. Sim, profunda, provinda das profundezas do eu que procuro desde os primórdios dos tempos, sempre nas entrelinhas que digo e não digo, sempre emtre a ferrugem do tempo, porque tudo se reduz ao segundo que se vive ou deixa de viver.. Sim, sou eu, nas mesas onde me sento e na cama onde como a carne esquecida, deflorada nas eras antigas. Sim, sou a outra parte de mim, que ficou presa na outra encarnação, e que não quis vir dar o ar da sua graça neste chão frio que piso. sim, sou eu, aqui no agora, no ontem que fui, no amanhã que talvez seja, sou eu, nos buracos enquadrados na estrada esfarrapada do asfalto que teimo em trilhar. Sou eu, fonema sem som, peça descarrilada que encrava o mecanismo dos tempos. Ah!... Ventos de todos os lados, onde me rebento de dor, alusão sem fim neste espaço esguio, não alinhado pela moral das paredes inertes do passado. Quiça, serei eu, aquela alma que viajava no futuro procurando-me no passado já morto e enterrado debaixo das águas turbulentas que me regem a vida. Esta, escolhida nos trilhos do inferno, por um deus menor, eu que apenas rejo uma orquestra sem músicos, onde os sons apenas soletram as letras de uma pauta apagada, onde a terra se perdeu no caminho de ninguém, fugindo às (in)transigências continuas de um movimento parado da roleta russa, aquela de uma só bala, de apenas um tiro certeiro, o ponto final, numa estrada sem retorno, e sem fim, uma passagem leve por um rio que corre sempre sem parar, mesmo que o fundo se esgote na tinta de luz que carrego nos olhos. Espelho vidrado de reflexos inexistente. Rendição da misericórdia que a alma proclama além do céu, numa espécie de existência infinita a que estou presa, nó desatado de enlace apertado. Passeio-me nas lágrimas que se vertem das concavidades visuais, e transformo-me em sorrisos mortais. Sim, sou...a outra de mim!

31 de outubro de 2011

O acordar dos sentidos...


O misterioso encontro do olhar… directo, insistente, profundo…
Inocente provocação, insana indolência das portas do céu!
Abre-se o caminho incauto aos acordes seguintes
A devassidão da mente convida à dança… num jogo de sedução!
O olhar une… os sussurros soletrados em beijos ao ouvido
Embriagam o desejo ardente de querer mais, e mais...
Despe-se a vergonha no caminho que vai do ouvido à boca
E silenciam-se os gritos da vontade suprema de possuir.
Na sombra da noite contornos perfeitos de dois corpos nus.
Despidos das vestes… de preconceitos e pudores.
E ao som da música que toca sem cessar
É impossível travar a sofreguidão com que o anseio do toque avança
Aquele que cega e intensamente é sentido na ponta suave dos dedos…
Desenham-se círculos de prazer em perfeita sintonia
Arrepia-se a pele ao toque… lânguido, frenético das mãos, da língua
Que demoradamente percorre cada recanto, cada curva
Cada concavidade do corpo celeste, enterrando-se entre os quadris.
Soltam-se gemidos que rasgam os vazios do silêncio!
Em leves marcas, se acorda o gosto do perfume exalado
Disperso pelo espaço que os envolve e abraça.
Entre corpos rendida, a respiração cresce desmedida
Em espasmos ofegantes, numa onda de carícias de calor intenso
E do interior do ser… liberta-se toda a pureza das almas!
…
Plácida tranquilidade do sonho, onde se cruzam…
Os cinco sentidos… despertos pela luxúria e o amor!

23 de outubro de 2011

Labirinto da alma!

Fecho os olhos...
Embalo em nuvens de cetim e laços de veludo, no toque profundo
Dos sons, que acordam os rios que choram de mansinho
Sinto o sopro do vento no rosto, são teus beijos doces, meigos...
Desencanto da minha alma, desatino do meu desejar
Busca incessante com que engulo a vida de um só trago
Lágrima derramada no meu cálice
Pássaro ferido de um amor com sede de infinito
Vagueio nesses labirintos vazios, perdidos, distantes...
Vagamente iluminados pelas sombras
Da sedução da lua que caminha silenciosamente pela noite
Qual mariposa esvoaçante… que pousa levemente...
Em flores de prata, dança sensual de colibris de mil cores
Doce delírio conflituoso entre o ardor do desejo da carne
E a pureza da mente, enigma constante, puzzle (in)completo...
(in)decifrado das emoções encerradas no porão dos (des)encantos!
Ergo as mãos ao céu, e deixo cair entre os dedos a tinta...
Com que me visto de olhos fechados, pérolas que me adornam
Luxúria pura encarnada no êxtase do teu sonhar
Puro amor que tanto buscas encontrar, numa sede sem pudor
Sentida no arrepio da pele, leve pousar dos teus rosados lábios
Embala-me no teu mundo de sonhos...
Possui-me com tua luz, como braços que me enlaçam
A alma, entregue a ti… numa oferenda mágica,
Lapso de tempo, esse tormento insano de te querer pertencer
Fecha os olhos, viaja…  e faz de mim tua amante!

9 de outubro de 2011

Delírios incendiados!

Presa à fome de ti (mim)!
O silêncio quente dos teus lábios
Abandona-se em murmúrios (ir)reais de ternura
Poesia ditada pelo teu olhar penetrante
Na escuridão tímida dos dias
Emoções cúmplices nos braços do son(h)o
Serenata cantada em meus ouvidos…
Loucura, excitação de ardor do vazio
O corpo contorce-se em catarses constantes
Na dificuldade lenta em respirar(-te)
Embriagado de paixão e dor
Em transgressões alucinadas, perdidas…
Na neblina do medo, na ilusão da dor
Buraco negro no peito, dorido
Doce (en)canto!
Explosivo acordar, desse mar agitado de desejos...
Insanos, perdidos em conchas perfumadas de delírios
Confidências (in)confessadas
Promessas de carícias (in)finitas
Ferocidade indolente provocada pelo toque…
Da sombra dos teus dedos
Numa chama ardente de lágrimas e nostalgia
Despida de mim (ti)!
No leito da cama desarrumado…
Onde o impulso do teu olhar veste fascínio
Desejo, pecado, luxúria...
Onde vagueia a nudez obscena da lua
Em torneados de prazer de sexo ateados
Corpos (des)conectados na crescente intimidade
Em perfeita sintonia, num fogo incendiado!

24 de setembro de 2011

Bailo no sonho...

Rendo-me ao tempo!
Infinito rendilhado de cordas emaranhadas pela vida
Nos beijos que sinto nas profundezas da alma
Em linhas (in)certas, traçado perfeito
Dessa volúpia (des)concertada, tocada
Pelos nossos corações, palpitantes, desfalecidos...
Em gestos invisíveis, imaginados me entranço
Em palavras vagueio, que dizem tudo ao dizer nada
Perdida em contemplações do paraíso
Em buscas do amor puro!
Num silêncio gelado de tons escarlate
Abandono-me aos versos por ti declamados
Em olhares flamejantes de desejo
Divinamente escritos do outro lado do mundo
Acompanhas-me nos suspiros, nos lamentos...
Nesta paixão, aquela que nos aquece por dentro
E me(te) queima as entranhas mais fundaa
Perdição dos meus anseios e sonhos!
Trocamos confidências, segredos, devaneios...
Um sem fim de mistérios por desvendar
Enraizados no teu (meu) reduto mais intimo
Numa dança levemente sedutora
Como uma rosa acariciada pelo vento
E no escondido das noites iluminadas pela divina lua
Caminha o silêncio pelas estradas tortas da alma
Entoando uma canção vazia, do nada que somos...

15 de setembro de 2011

Cruzamento (in)acabado!

(E)namoro-me de ti!
Nas carícias trocadas
Nos olhares escondidos
Nas palavras envergonhadas
No sentir não pronunciado
(En)canto-me em ti!
Nas danças que ficaram perdidas
Na melodia que só as almas ouvem
Nos toques e acordes do silêncio
Nos passos que decalcávamos um atrás do outro!
...
E foi um tempo...
Em que as minhas mãos eram as tuas
A minha boca apenas pousava na tua
O meu corpo apenas desejava o teu
Sem descanso, sôfrego, alucinado…
Em que eu terminava as tuas frases
Em que cada dia começava sempre com um sorriso
Em que as nossas vidas se misturavam
Num (entre)lace único de sensações
Em que éramos dois loucos
Perdidos na imensidão de um olhar
Sem pestanejar, imóveis como o tempo!
...
Procurei-te na frieza dos dias de inverno
Na neve derretida nos beirais das casas
Nas pingas grossas da chuva que me molhava
Entre a terra que me enche as mãos
Nos delírios dos gritos inaudíveis do ser
Nos naufrágios incertos da vida
Entre as palavras escritas pelo vento no meu rosto
Nos versos do passado perdidos em cartas de amor
E não estavas lá...
...
Foi um tempo...
Em que fomos pássaros livres
Que alcançaram o céu tantas vezes…

5 de setembro de 2011

Fingimento!

Fingir... Sim, finjo para ti, para mim. Finjo! E são vazias e ocas de emoções, as palavras largadas na folha de papel branco, alva como a neve, na qual as frases se constroem, se amontoam como pilhas de tijolos arrumadinhos e encastelados prontos a serem derrubados, ou derretidos pelos raios quentes do verão. Finjo nos intervalos dos silêncios que preenchem as escassas lágrimas que me lavam o rosto, e me tingem o regaço de púrpura, a cor da paixão, a minha por ti, aquela que se perdeu nas entrelinhas da distância. Finjo que tudo está bem, sempre! Para ti, para mim! Finjo, como uma forma de fuga à realidade translúcida do teu olhar amargurado. Troco palavras por múmurios silenciosos e canto, bela e serena, a canção da vida como o desabrochar da primavera, ao leve som do sibilar das aves migratórias. Finjo! Finges! E passamos a vida a fingir que as ruas do nosso entendimento são belas, largas, plenas de sentimentos, e as palavras não são como as pedras da calçada, frias, cinzentas e estáticas, num presente imóvel da imaginação. Finjo! Sempre! Para um espelho de reflexos imperceptíveis da vulgaridade que me povoa a mente, ou quiçá, vagueia por estradas empoeiradas do tempo. Finges e eu finjo para ti! Para o mundo! Para a imagem reflectida no espelho dobrado que existe na minha mão, fechada, encerrada de sentimentos, acções e emoções. Finjo... apenas e só! Um fingimento sem inicio nem fim. E continuamos a fingir... que a roupa que visto hoje é a que me assenta melhor, quando já está gasta pela corrosão das intemperies internas, sim, aquelas que avassaladoramente provocam embolias na alma, e dores crónicas no coração. Finges! Finjo! Que somos nós que puxamos e governamos os cordeis das marionetas que actuam no nosso palco, onde todas as cenas já foram encenadas, e as falas decorados num passado longíncuo e áspero como a terra do deserto ressequida e gretada pelo sol intenso. Vá! Vamos continuar a fingir! Sempre e para sempre!...


Participação no tema de Setembro

28 de agosto de 2011

(Des) vendo-te!...

Grito! Aos quatro ventos…
Por essa existência sem retorno
(do pássaro alado, caído dos céus)
Um caminho perseguido até às entranhas
As tuas, contidas nas minhas mãos
Desenhadas pelo destino, cruzado nas laços da vida
Rasgo! O pano que me veste a alma
E prende o caudal do rio
(que me brota dos olhos)
Sem flor, coberto de espinhos
Desse aroma que me hipnotisa, me arrasta
E sem forças, me dou a ti...
Inspiração divina! Devaneio de loucura!
A minha, misturada na tua
Em acordes musicais, provindos do inferno
Ou quiçá das terras dos Deuses
Olimpo (im)puro, de celestiais desejos
Por viver... na saudade que me assola
Essa, que me traz nas mãos, em pegadas ligeiras
Por areias movediças, de um deserto sem fim…
Quebro o silêncio! Demorado como as horas…
De cristal, que te envolve nas sombras
Do passado, que se verga à incerteza do futuro
Aquele, que ainda está no embrião dos tempos
Onde tu te rendes a mim…
Onde as palavras, soltas ao vento…
(te amarram a mim, com invisíveis fitas de cetim)
 No grito que te levou a ti, o coração ancorado no peito
Nesse buraco cativo que tu ocupas!

17 de agosto de 2011

Desvairo!

Embriagada viajo… nas tuas palavras
(in)certas, meigas, intensas...
Ondulo no desejo que voa ao sabor dos teus dedos
Que delicadamente pousa...
Em cada recanto angelical da minha pele
Fecho os olhos, invado-te no sonho!
(Des)ordenamente toco-te…
Quero-te! Desejo-te!
Na boca o sabor salgado dos teus beijos
Doces, molhados… arrancados no mais fundo de mim
Como espinhos cravados na alma
Leves, ardentes... brasas incendiárias
Forjadas nas agruras da vida!
Dormência cristalina da alma!
Rebuscando-te, traço desenhos incertos, (im)piedosos
Num suave som emanado pelo assobiar do vento
(im)possível, inquebrável encanto...
De uma alma faminta de amor, sem pudor
No calar da minha boca, no fogo que me (te) consome
O arrebatar dos insanos toques dessa paixão
Chama que arde no teu (meu) peito
Perco-me no luar dos teus olhos… penetrantes, profundos
Profanados pelo querer faminto das almas
A tua na minha, a minha na tua...
Onde vive um animal selvagem, preso, encarcerado
No cheiro do teu corpo inebriado pelo perfume do meu!

8 de agosto de 2011

Cinzas...

Num bailado incandescente de saudade
Choro os dias que ainda não desfaleceram
Cansados, sedentos da seiva que te alimentam!
Canto lamentos escorridos na alma
Doces, (en)cantos de um olhar teu...

Rodopiando incansavelmente te espero
Para voltar a beijar, sentir de novo o toque...
Da melodia triste que canta meu coração!
As lágrimas pintam-se no meu rosto frio, inerte
Preso no cais do tempo, amarrotado, rasgado...

Anseio perder-me em encantos teus!
Guardo acordes surdos do silêncio dos teus beijos
E nas mãos o perfume das rosas derramadas!
Em explosões cadentes de sentidos, inalo o perfume teu
Danço ao sabor enclausurado da memória...

Em vertiginosas sensações entrelaço-te no corpo e na alma
Aperto-te no peito contra os espinhos cravados!
Morro aqui, cinzas de um fogo ardente, perdidas ao vento
Tinta pintada pelos meus dedos (des)crentes
Poema esquecido no meu infinito ser!

2 de agosto de 2011

FUGIR!

Quando o passado nos atropela de forma alucinada, faltando o ar, que apressadamente desce garganta abaixo, e provoca uma contracção involuntária no peito. Quando tudo o que queremos é parar, simplesmente parar... quando as lembranças do que fomos, da simplicidade que nos envolve a alma se solta e nos envolve de nostalgia, e nos faz lembrar o quanto já demos de nós ao universo, e o quando ainda iremos dar. Quando queremos reter o mundo nas mãos. Quando achamos que conseguimos engolir o sistema planetário de um só trago e devolver a paz às entranhas crucificadas pela tortuosa caminhada. Quando tudo o que queremos é do tamanho inexorável de um bago de arroz, e chegamos à conclusão que os sentimentos pequeninos não têm a importância que lhe atribuímos. Quando tudo o que queremos se resumo a uma pluma largada no vento, suspensa no imaginário do nosso subconsciente. Quando dentro de uma mão cabe todo o nosso mundo, pequenino, mas cheio de tudo o que de mais precioso e frágil possuímos. Quando achamos que estando no chão, ainda nos podemos enterrar mais um pouco, ainda nos sobra forças para lutar contra o irreal, contra o nunca imaginado. Quando toda a dor cabe numa lágrima derramada silenciosamente no escuro. Quando tudo o que queremos, sentimos é... FUGIR!

Participação no tema de Agostoo

1 de agosto de 2011

Bailado de almas!

Impedes-me de tocar! Beijar! Sonhar!
Adormeço o pensamento, a mente
Que cega à dor do passado reclama por ti
Neste profundo son(h)o (ir)real, (in)tocável
Ignoro os gemidos sentidos…
Abro os braços à vida, e caminho na chuva, a tua
Derramada sobre mim, num silêncio surdo de palavras provocantes
Quebre-se o gelo! Como portas sagradas da alma!
Parta-se a vidraça opaca da insanidade!
Libertando o fogo incandescente do desejo dos corpos
Esse vício (im)puro do titânico viver do hoje, aqui e agora
Num arremesso (in)controlado de violência, despedaças
O mais forte muro em mil pedaços sem tempo nem espaço
E são teus olhos! Quais flechas flamejantes!
Que pousam indecentemente em meu corpo belo
Doce, frágil… (in)capaz de controlar a força
A tua, qual cavaleiro andante, do tempo místico de encantar
Na defesa da sua rainha, sua deusa (in)tocada
Libertas-me a chama, em labaredas ardentes!
Esqueces a pureza dourada das vestes sagradas, puras, virginais
E tornas-te no meu mais escondido amante da lúxuria!
Danças essas tuas mãos delicadamente, em movimentos precisos
Pelo refinado torneado do meu corpo enroscado no teu
Pulsante, ardendo no fogo da desordem, consumida pela tua boca
Rasgas definitivamente, esse véu púrpura que me tapa os olhos
E devoras todo o meu ser, sem resistência!
Bendita salvação da alma! A minha, perdida nesta estrada…
Solitária, gelada, quebrada pelos desejos insanos
Impuros, esquecidos, largados, perdidos no fundo de mim!
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