24 de junho de 2011

Minhas mãos vazias...

Carrego nas mãos vazias…
O fel dos segredos ocultos da noite da (des)esperança
Acalentando a suave linha da maldição
Teu olhar incerto… me incita a continuar a busca
No breu da noite, os suspiros da melancolia
Despertam o coração adormecido, sufocado pelo veneno
Dos limites da vida, no desespero de um grito
Dos vícios ociosos empedernidos nas curvas da existência
Tua boca cala os sussurros que outrora gritava ao vento
E deambula pelas ruas da tristeza como um moribundo
Farejando a carne fresco… profanando a alma celestial
Essa… que vagueia pelo longínquo espaço da memória
Onde as palavras não têm mais retorno
Nem têm mais eco na luxúria sentida pelos amantes
E meus olhos choram… lágrimas de dor
São as vozes do desespero, da angústia perdida
No tempo em que a morte passeava sem capuz
Como um anónimo sem rosto, e sem nome
O triunfo do vazio alado, cavalgando pelas sombras
Pelos caminhos tortuosos da obscuridade (ir)real
Pelos sepulcros da noite…
Um lunático invade os lamúrios do desejo insano de te possuir
Numa figura lasciva de se libertar, e no final…
Permanecem os restos dos que já foram sem deixar rasto
Dos que ainda tinham algo para dar ao mundo
E ficam as marcas dos que tudo deram, deixando o vazio…
Que carrego nas mãos vazias…

21 de junho de 2011

No balanço das horas...

De mãos dadas contigo (comigo)
Asas do meu pesar, sentir do meu desgosto
Poesia dos meus dedos, que nasce da nascente dos meus olhos
Corre comigo, de olhos vendados, no meio da escuridão
Sem pensar, sem questionar…
Entrega-te às mãos que te aquecem, que te resguardam do frio
Renascendo neste corpo cansado das quedas inevitáveis do tempo
Das nuvens que se fecham dia após dia
Que balaçam no inverno da tua caminhada
Esvai-se o tempo por entre os dedos, como areia viva
Nesta água com que te baptizo novamente
Solta-te das correntes amargas das sombras
E extingue a dor, o sofrimento, o vazio...
Dessas mãos que para ti se estendem
Deixa que a vida te lamba as feridas
Feche as cicatrizes, encerre os sonhos irreias
E te acalme o fervilhar do pensamento
Faz correr o sangue que te aquece a alma
Das cinzas do que fui e já não sou
Corre por entre espinhos da memória
Arvoredos rochosos da existência que te ferem
E trespassa de vez essas paredes apertadas da alma
Da clausura das (des)ilusões…
Sente-me apenas… no bater descompassado do coração
E caminha apenas a meu lado
No leve toque da translúcida mortalidade

17 de junho de 2011

Desejo!

Uma noite estrelada
Uma lua redonda
Um silêncio parado no escuro
Um corpo torneado pelos deuses move-se
Nas sombras, lenta e languidamente
Ao som da musica de um olhar penetrante…
Onde os acordes sonoros apenas são audíveis
Num enlace perfeito pelas almas em uníssono
Uma mão que serpenteia cada curva macia
Um arrepio desce espinha abaixo
A roupa largada no chão
Bem devagar… demoradamente...
Um suspiro solto no ar
Um movimento mais de sedução
Numa dança, ao mesmo tempo, delicada e atrevida
Onde a pele se encosta suavemente e se afasta de seguida
Um convite a um beijo
Entre lábios molhados e húmidos
Onde o desejo se masturba em encantos de ternura
No ondular de sensações que invadem a mente
Descontrolada, em excitação
Um despir devagarinho em mimos e carícias
Um subir de temperatura
Um acelerar do coração
Uma boca sedenta
Um cruzar de pernas, num encaixe de coxas
De querer mais, desejar mais…
Um gemido no escuro, um eco pelo universo
Uma respiração ofegante
Onde uma boca cala os gritos da outra
No êxtase final!...

12 de junho de 2011

Um silêncio parado no tempo...

No meio do nada, sento-me no escuro…
O sol já fechou os olhos, e se foi…
Esvaindo-se em minutos prolongados, pelo esquecer das horas
Ao longe o uivo do lobo ecoa no horizonte
Acorda a noite lentamente…
Um manto estrelado vai cobrindo de negro a noite
sob a luz de uma lua brilhante bem lá no alto
Sinto nas minhas mãos o gosto da terra que me pertence
e o leve abraço dos sons que me circundam
Um olhar se eleva aos céus, num pedido aos deuses e aos anjos
um leve  piscar de olhos, uma lágrima se solta…
silenciosa pelos restos mortais... das folhas secas que voam ao vento
E o silêncio invade… a floresta adormecida que me rodeia
e no sussurrar do vento apenas os grilos cantam
na profundidade da noite...
E a terra, senhora de mim, murmura uma canção de embalar
em acordes delicados e cintilantes espalhados pelo luar
Fecho os olhos… Solto o espírito livre ao vento!
Que voa em liberdade…
Rodopiando em piruetas que ora sobe uma escalada
rasante ao meu corpo inerte, ora desce à imensidão do universo!
Trilhando em passos perfeitos, um voo ondulante…
pelas copas das árvores, sentindo o doce perfume
do respirar do bosque e da brisa nocturna que me beija o rosto
E danço, embalo, evado-me (e)ternamente…
de asas abertas no sonho, no éter dos meus sentidos
no sorriso aberto da noite, na terra de encantar!

10 de junho de 2011

Republicando!

 
 À flor da pele!


“És tu… eu sei!”

De olhos vendados
Viajo no escuro
Na penumbra das sensações
Nas palavras por dizer
Nos intervalos do silêncio
Nas fantasias geradas
No conhecimento das almas
Nas apalpadelas geradas
Pelas sensações à flor da pele
Cega…
Sem rostos ver
Sentindo com as mãos
Ouvindo os sons do silêncio
Dançando com o corpo
Eclodindo num transe sem químicos
Numa liberdade sem limites
Deixo-me ir!…

Esta imagem foi retirada daqui com a devida autorização da dona


De coração endurecido
me encontrava olhando o horizonte
as marcas do passado…
escondida, brincava com palavras, frases
desejos e sonhos…
entre vidas cruzadas no espelho da imaginação
num anseio de um dia te encontrar!
Fecho os olhos por instantes…
e em lapsos de tempo
sinto os suspiros da tua voz
quente e doce
num discurso de sedução arrepiante!
Nas incertezas do futuro
sonho unir a tua alma à minha
e transformar o presente
numa tentação irresistível de prazer
e deixar o vento soprar… baixinho…
em tom de segredo a mais bela canção,
tocada pela areia fina da fantasia
de estar em teus braços
sentir o calor do teu corpo
num sussurro de paixão
simplesmente dar-te a mão!


Hoje deixo aqui dois poemas que já foram feitos há algum tempo e oferecidos a duas pessoas muito especiais para mim, mas devido a estarem num espaço fechado por mim, volto a publica-los de novo aqui para todos, valorizando as devidas fontes de inspiração (link está no título de cada poema), com as fotos também das postagens originais

7 de junho de 2011

Tudo são rosas...

Enroscada na corda retorcida do destino
estendo silêncios na palma das mãos
Abraço-te (me) e rendo-me de joelhos aos teus pés
São flores que carrego na alma!
Onde um rio corre sereno e calmo, em busca de mim
danço ao sabor do prazer do sonho,
tacteado nas rosas do vazio e da solidão
Abraça o olhar que te persegue! Dá-lhe a mão!
Segura forte! Sem medo!...
Segue um novo trilho rumo à eternidade, e bebe
o sangue da vida de uma só golfada, como um derradeiro grito
rasgado no ar!
Saboreia cada trago lentamente, demoradamente…
como uma fruta colhida no pomar mais fértil, e afasta em delírio
essa mão que te (me) esmaga, em silêncios…
profundos de sons por inventar nessa pauta encadeada de espinhos
Solta a corrente! Que te prende a alma ao chão, e levita
na mais bela e doce melodia, em tons de cor de céu
Corre!... Salta!... Pula!...
E não mais pares…
a não ser no mais profundo do meu coração!
Espeta a dor mais funda com a espada da salvação
e desfaz sem piedade as sombras que te (me) inquietam
Renasce na fénix pintada pelo beijo meu
dado na boca mais doce de um olhar demorado
que te trespassa a alma, sem medo, sem pudor…
Diluindo todos os segredos narrados pelo destino
numa espiral de emoções
soltando a inocência que habita nas profundezas do ser!

4 de junho de 2011

Flashback!

 Pausadamente... passeando os dedos pela memória
Como quem saboreia uma fruta suculenta
Onde os minutos, as horas e os dias permanecem imortais
Onde a alegria é estática e eternizada, e aflora num sorriso
Onde os dedos se entraçam nas imagens da alma
Com as linhas do destino já percorrido…
Vagarosamente…
Lentamente…
Num flashback em câmara lenta…
Perdendo-se no rabiscado das sombras
Dos momentos vividos, sonhados, sentidos…
Como um bálsamo perdido no tempo, num reviver de emoções
Que o passado já trancou no espaço dos sonhos
E numa dança irreal o espírito se eleva noutra dimensão
E volta a ser, a sentir… cada gosto, cada desejo, cada sensação
Experimentados pela primeira vez, como um renascer continuo…
Que cresce e se agiganta…
Em cada estremecer, em cada olhar trocado,
Em cada toque sentido… numa sintonia precisa, perfeita
Num encaixe milímetro a milímetro em cada curva que se encontra
Onde o olhar toca na alma num simples gesto
Cruzando-se perfumes idílicos, misturando-se em cores e sabores
Num gemido profundo…

27 de maio de 2011

Bailado de letras...

Há dias cheios de coisas!...
Há dias cheios de sentimentos, sensações, ideias, opiniões, palavras que me vagueiam na mente… vagarosamente como uma névoa que se instala devagarinho. Há dias vazios de tudo, e cheios de nada, cheios de sabores e odores, cores e afins. Há dias que as palavras me sobram nas mãos, e não tenho onde as colocar. Há dias. Há dias que não são como os outros, com luz e escuridão. Há dias cheios de razões, cheios de casos, cheios e vazios. Há dias que as palavras mascaram a realidade, omitem mentiras, enchem-se de medos e me fogem pela boca. Há dias. Há dias do tudo e do nada. Há dias cheios de pressa, mas afinal custam a passar. Há dias sem coragem e dias de força. Há dias que as palavras me dão um descanso, têm medo de me olhar nos olhos, outros há em que pausadamente me bailam no corpo como um desejo carnal de me devorarem. Há dias em que as letras não se encaixam em lado nenhum, deixam-se ficar amorfas e sem sentido juntinhas à alma. Há dias. Há dias que elas, as palavras, se revoltam e me explodem por todos os poros, de todas as formas e feitios. Há dias em que me enrolam, e me ferem como espinhos, colam-se ao céu da boca de forma pegajosa.
Há dias assim…

22 de maio de 2011

No vazio das minhas mãos...

Quando a noite se cobre de estrelas, e a luz da lua me ilumina o olhar, sobram pedaços de nuvens nas constelações da memória onde bailo contigo de mão dada. Onde o espaço dos teus dedos se entrelaça entre os meus numa dança sensual e dourada pela estrada solitária do coração, residente da alma, que flutua nos raios dum sol nascente nas profundezas do ser. E nos movimentos leves dum som não proclamado, prendo-me nas salgadas saudades de te tocar, do perfume que perdura colado na minha pele alva, do desejo deixado na minha boca. E num suspiro lançado ao vento, revivo nas asas do sonho, duma história inventada por viver, onde o tempo já não tem presa de chegar, onde pára para me acolher, onde me abraça e me envolve num doce desejo, onde as sombras se escondem, as palavras fazem sempre sentido, onde danço com as mãos vazias e plenas de mim, onde as emoções mais fortes são senhoras da vida, rainhas do universo e a nefasta melancolia dos dias, a paranóia de ser e ir mais além não têm mais razão de ser nesta existência, onde tudo é perfeito, e nada mais há a acrescentar…

18 de maio de 2011

No silêncio...

…volto a ser pássaro!
Corro velozmente ao teu encontro
Contra ventos e tempestades
E de repente…
Fico inerte, e paro à distância de um toque
Obscuro das palavras mudas
Salto vírgulas, encadeio-me nos parágrafos alinhados
Enrolo-me nas sensações que me deixam na boca
Apalpo cada contorno das letras que me compõem
Corro de novo, e de novo paro!
E fico-me pela admiração do enlace, entrelaçado
Nos desejos, nas carícias, nos olhares
Que as palavras me lançam pelo esgueirar
Dos livros, dos romances, dos contos e poemas
Com que me visto nas noites frias de verão!

… volto a ser estrela!
Constelações brilhantes riscados no infinito
Luz da vida, que atraiçoa a morte
Ultrapasso-te em vielas escuras do pensamento
Traço novas rotas dos cometas que os meus dedos
Vão desenhando com a tinta das memórias
Transformo os meus pés nas asas do vento
E liberto-me das correntes que me amarram o pensamento
Não! Não quero palavras em forma de promessas
Antes actos renovados que me tocam
Como abraços, apertos de mão e beijos
Com gosto intenso de paixão, luxúria e desvairo
Esmagados em sílabas sonhadas entre pontos e vírgulas
Entre o hoje, o ontem e o amanhã!

… volto a ser árvore!
Cresço, floresço e dou frutos
Semeados nas folhas brancas da vida
Faço sombra às nuvens da minha alma
Volto a fugir para dentro do peito
Para o calor do aconchego das ondas do mar
Nasço e renasço à velocidade das primaveras
Na esperança, na força e na vontade
De nunca morrer… porque sou eterna e imortal!
Brinco com as pétalas das rosas do campo
E toco levemente nas asas das borboletas
Refaço-me nas linhas traçadas pela luz do sol
Num bailado de sons com a lua e as estrelas
Onde os ramos das árvores não conseguem chegar
E voo lá no alto como uma estrela cintilante
Engano a liberdade…
…e volto de novo a ser pássaro!

16 de maio de 2011

Preocupação de mãe!

Qualquer mãe deseja sempre o melhor para os seus filhos, pelo menos o suposto é que assim seja, mas existem situações na vida que ultrapassam qualquer entendimento, qualquer vislumbre de razoabilidade racional quando entre um casal as discussões assumem proporções para além do concebível, para além do que um dia se imaginou viver. E pensa-se: valerá a pena? Será justo que qualquer adulto que tenha dois dedos de testa faça com que uma criança inocente passe pelo tormento quando um casal vai transformando num inferno o seu dia-a-dia? É normal e saudável que por força do egoísmo dos adultos uma criança tenha de assitir a uma guerra inglória?... Estas e tantas outras perguntas ficam sem resposta quando ao invés de um sorriso nos lábios e um brilho no olhar de tenra idade se vislumbra um olhar vago, uma lágrima caída de quem se sente rejeitado pela própria vida, como se não pertencesse a lugar nenhum. É legítimo uma mãe querer colocar a mão por baixo de todas as quedas que os seus filhos poderão vir a dar, mas não será legítimo colocar uma poça de lama para eles se enfiarem lá dentro. É legítimo que qualquer mãe desejando o melhor, esteja sempre lá com a mão estendida, e um colo que não tem tamanho, mas não é legítimo por força do egoísmo ignorar o sofrimento que infligimos aos nossos filhos de cada vez que um dos elementos agride o outro verbalmente, tentando tirar vantagem na frente de uma criança. É revoltante ver todas as situações que as crianças têm de assistir, por via de um casamento que termina mal, onde a razão deixa de imperar, onde nem os bons sentimentos já existem, e os adultos se esquecem de ser adultos,  passando de forma egoísta por cima dos sentimentos e desejos das crianças. O indicador dos divórcios é cada vez maior, estará talvez na altura de pensarmos duas vezes antes de colocarmos no mundo outros seres humanos para os fazer passar por este tipo de situações, e indo mais longe, será talvez melhor pensarmos e olharmos verdadeiramente para o que desejamos, para o que se pretende de um casamento, sem ilusões, sem máscaras, sendo verdadeiros, porque amor não acaba, o que acaba são outros sentimentos aos quais muitas vezes lhes damos esse nome, e que com o tempo se vão desvanecendo. Porque é verdadeiramente revoltante que no final de tanto sofrimento ainda se abandonem as crianças num orfanato como se elas não valessem, nem fossem nada… como se não fossem de ninguém, tornando-as orfãos de segurança emocional. Como se não tivessem sido carregadas durante nove meses no ventre de um ser humano!...

Participação no tema de Maio

11 de maio de 2011

Sem medo!

Ausência de medo, (in)controle de emoções
Visto-me de plumas de cetim,
Desbravo a seara do meu corpo com o teu cheiro
Tacteando mansamente cada pedaço de éden
Construindo pontes, saltando vedações
Percorro cada palmo da alma
Desnudando-a lentamente
Como quem despe um corpo quente
Cheio de si…
Perdendo-se na imensidão dos sentidos!
E na cadência da luz do sol, resgatado pela lua
Solto sorrisos pelos olhos, que te olham
E vislumbram nas sombras da memória
Presas por um fio de ardor, desejo e possessão!
Sou livre! Solto as amarras do silêncio!
Ah! Solto um grito lá do fundo
E imagino-me (te) dentro do meu peito
Sugando cada gota do suor rasgado
Nos céus da felicidade
Como um sussurro surdo ecoando… ao longe!
E com a força dum trovão!
Estremeço as mãos que me acariciam
Na liberdade de te (me) desejar
Levitando na doce sensação de florir
Em cada gesto de ternura, em cada palavra falada
Em cada abraço encontrado entre os teus braços
Em cada desejo escondido nos segredos
Da tua voz… deixando-se o corpo cair
Esgotado de tanto amor e prazer!
E na (in)finitude da razão
Esbarra-se o encadeado das tuas mãos nos meus lábios
Misturando o som, o cheiro e o gosto…
De te (me) amar em cada curva delineada
Pelas dobras da eternidade, quiçá do destino
Sem pressa, sem culpa, sem medo!...

26 de abril de 2011

Ao sabor do vento...


Dançando com o vento… sentindo a brisa morna do verão
Ouço em harmonia a voz dos animais selvagens,
Saltando de pedra em pedra, correndo pelos prados verdejantes
Olho as folhas secas que me passeiam por entre os dedos
fazendo cocegas no meus rosto...
...e na boca fica o trago de algodão doce
Abraço a lua, e penduro-me na magia de voar
Em espiral nas nuvens do espírito da natureza… abro os braços…
E ando de mãos dadas com as nuvens…
...amarradas em fitas de ar e cetim.
Deixo-me arrastar por esta melodia silenciosa…
Que o vento sussurra nos meus ouvidos, bem juntinho ao coração
Flutuando nas palavras...
...que me envolvem num abraço apertado e profundo…
Deste sentimento que cresce lá no fundo... e me enche por dentro.
Persigo-te no escuro… e de olhos fechados… reconheço-te
No som do riacho, no uivar dos lobos, no chilrear do pássaros
E nas pegadas da alma... 
...que estranhamente me nascem no sorriso do olhar
E embalo mais uma vez… de brilho nos lábios…
No desejo de voltar a navegar nos teus braços, e ficar lá para sempre…
Escuta… ouve a voz do eco do que sinto…
E deixa-te dormir nos sonhos que se entrelaçam na noite estrelada!

19 de abril de 2011

Num tom baixinho...



Nas asas do vento…
Ondula a noite, com pezinhos de lã
Sem rumo, sem direcção…mas sempre certa.
Shiuuu…
Num rasto perfumado e doce…
flutua nos suspiros do luar iluminado
nos raios duma lua cheia sorridente
e na magia das sombras…
vem tocar na pontinha dos meus dedos!

Nas asas do vento…
Segredam-se baixinho canções de ninar
Fecham-se os olhos da inocência
e abrem-se as portas à imaginação…
Shiuuu…
Troco palavras com a lua e beijo as estrelas…
lá longe… onde só os sonhos moram,
onde só a alma… consegue chegar!

Nas asas do vento…
Sopram sons do outro mundo…
do reino encantado dos contos de outrora…
Onde as princesas têm cabelos dourados,
Vestidos de cetim e tranças compridas…
para serem resgatadas pelos seus cavaleiros andantes.
Onde as histórias que se ouvem…
Terminam sempre em finais felizes!...
Shiuuu…


Faça-se silêncio… shiuuu… a noite já dorme!

13 de abril de 2011

Silêncio partilhado...

A noite estava calma... as estrelas brilhavam lá no alto sob a luz da lua, as ondas do mar calmamente beijavam as pedras que penetravam mar dentro… e no luar dois seres de mãos dadas caminhavam lenta e docemente pela noite… . subiram ao local mais alto e sentados no colo um do outro olharam o horizonte... ao longe as luzes das ruas brilhavam tanto que pareciam um presépio encantado e o olhar perdia-se nas várias praias em seu redor... em poucas palavras a voz suave dele descrevia cada um dos locais que se avistavam ao longe… e por momentos... cessaram as palavras e o silêncio imperou, apenas se sentia a respiração ritmada de dois corações em paz, que tranquilamente se deixavam ali sentados, de olhos fechados, abraçados docemente na brisa do mar sob o manto das estrelas. E por vários minutos se deixaram ali... apenas ouvindo a voz do universo em sussurros de magia. De rostos colados lentamente se olharam e seus lábios se uniram num profundo e prolongado beijo em silêncio...

7 de abril de 2011

Meu reino encantado!

Trago nas mãos o calor do verão, nos olhos os pingos de chuva de inverno, e no corpo... no corpo deambula um estádio intermédio e suspenso entre a primavera e o outono. Sinto na ponta dos dedos a comichão da razão que se perde quando os sonhos me invadem a lógica, e abandonam o chão para alcançar o céu estrelado da minha fantasia. Percorro alas sem fim, veredas de outrora, e deixo-me mornamente ficar ancorada nas paredes do esquecimento. Caminho, e paro, e volto a caminhar pelas estradas do passado, tentando resgatar cada cor perdida na caixa arrumada das minhas memórias, pinto e repinto cada árvore do meu jardim de azul, canela e carmim, em cheiros perfumados de violeta e jasmim, dourados de laranja e púrpura... e assim, se vai colorindo o céu do meu palácio mágico. Perdem-se amarguras, tristezas e dores, e reina a paz, o silêncio alegre do canto dos pássaros, ao longe o assobio do vento murmura uma balada encantada ao som do eco da melodia do bater do meu coração, num dueto uníssono com a alma. Choram as fontes alegrias pintadas em cascatas de água transparente, ouvem-se os silêncios murmurosos das vozes caladas das pedras da calçada, nas imagens que me entram pelas janelas da alma dentro, como um caleidoscópio de cores e sabores nunca provados, e até então quase inalcançáveis. Dançam-me nos olhos as cores do arco-íris que me envolve num abraço caloroso, que me faz explodir o ser em encantos infindos, da vida que me jorra nas palmas das mãos, onde o machado de tinta preta vai talhando leve e minuciosamente as linhas incertas do meu futuro.

2 de abril de 2011

Momentos...

Um gemido...

Um balão a pairar
num passeio de jardim
um encontro ao luar
com cheiro de jasmim!
Uma rosa oferecida
por um sorriso invadido
numa ponte estabelecida
de um vazio preenchido!
Um encanto encontrado
num sussurro escondido
num abraço apertado
por um toque atrevido!
Uma palavra silenciada
de um sonho entrelaçado
uma memória partilhada
num silêncio murmurado!
No escuro um segredo
de um olhar molhado
uma dança sem medo
num beijo demorado!
Uma alma nua
um corpo despido
minha boca na tua
num orgasmo sentido!

...num momento de ternura!


Participação no tema de Abril

30 de março de 2011

Ai de mim! Infinitas cores!

Ai de mim! Beleza infinita!
No alvor dos dias, ao cair da tarde
No amanhecer da noite, e na luz do luar
Saltos no tempo, segredos calados
Plantas sementes de amor puro, virginal
Que invadem as ruas, nas vozes em silêncio
Nas lágrimas que brotam das nascentes
Que cantam um murmurar de paixão
Embalando as sombras da lua!

Ai de mim! Candura indecente!
Não te enganes! Foge de mim!
Sou o frio, o gelo… e a água que derrete
Depois… ternura feita gente!
Corre! Apanha-me numa curva!
Ao subir do monte, na descida mais íngreme
E toma de um trago, sem sentires o gosto
A seiva que me jorra nas veias
E me contamina o bater do coração!

Ai de mim! Inocência desflorada!
Perdida na face rosada das flores
Folhas queimadas, flores nascentes
Galhos enrolados ao tronco da vida
Enroscados na tua alma mansa e pura…
Trago em mim, o sabor dos teus beijos
No corpo, o delicado prazer da luxúria
E nas mãos… nas mãos
A quietude do formão que me talha os dias
Minuciosamente, implantando a paz!

Ai de mim! Pureza divinal!
Passarinhos voam, e cantam…
Sopram levemente uma brisa de promessas sem fim
Quão vulcão adormecido, donzela impura
Abres as mãos vazias e esmagas-me o peito
Fecho os olhos… e evado-me nas asas vento
Num abraço, num afago lânguido
Trazes nos lábios um beijo envenenado
Dou-te a mão e peço-te: solta-me do destino!

26 de março de 2011

Escuto-me!


Perdemos-nos de nós tantas vezes, mas se abrirmos os braços voltamos a abraçarmos-nos… basta baixarmos os ruídos de fundo, e escutamos no silêncio a voz que vem do coração, aquela que por mais que tenhamos vontade de fugir, nunca nos deixa sós, nunca nos abandona, e tantas vezes fala de sentimentos que recusamos ouvir, quiçá, sentir… vivemos momentos, sentimos-nos e sentimos os outros, escutamos os silêncios dos olhares que nos rodeiam, e pensamos sempre que são dirigidos a nós, puro engano, pura ilusão do nosso olhar, do nosso coração solitário, que por mais que queiramos, somos simples mortais, isolados, encerrando no corpo um mundo por explorar… desejamos tanto ser felizes que somos enganos pela carência, pela solidão, pela falta de (des) amor, tantas vezes enredados pela paixão, que nos cega os sentidos, respondendo ao apelo carnal… mas será que amamos verdadeiramente os outros, ou transportamos para os outros as virtudes que não temos e desejávamos ter? Será que sabemos mesmo o que é amar sem condição, sem esperar que o outro nos ame de igual forma e intensidade? Ou amamos porque alguém também nos diz amar, e sabe bem a companhia, e retribuímos as palavras, que muitas vezes, não são verdadeiramente acompanhadas dos sentimentos mais profundos!?... Amar gratuitamente, será que existe? Ou será apenas um mero sonho, inalcançável, longe do que palpavelmente tocamos no dia a dia?... Precisamos urgentemente de amar como só a pureza das crianças consegue, sem olhar para os defeitos, sem valorizar as virtudes, sem procurar nos outros peças que nos faltam a nós. Precisa o mundo de simplesmente amar, para se salvar!...

24 de março de 2011

Segredos... silêncios!

Vai-te de vez!
Fora da minha memória!
Faz-se silêncio!...
…
Fica no ar o perfume da ausência do teu tocar
que lentamente me cobre o corpo nu.
Respiro o odor do teu corpo no ar
canto suor, dor e paixão.
E deixo-me embriagar na memória do teu olhar
Lambo a ponta dos dedos
Sabem a rosas... com um rasto de luar…
Numa voz fraca: grito!...
Entorpeço-me nas linhas dum romance mal acabado
Tranco-me no silêncio...
e anseio pela ternura do toque do teu desejo,
enrolada nos sons do teu prazer, do teu pecado!
Num sorriso inocente que passeia nos meus lábios
cruza-se o impossível, o improvável
e apagam-se as luzes!
Apenas os teus olhos me iluminam
e num sussurro quente e tímido
a tua voz proclama:
- Não pares! Fica onde estás!...
Acende-me!... Enlouquece-me!
E num sem ruído prolongado...
selam-se bocas em segredos quase eróticos!
Cai o pano, e destapa-se a alma nua
Descobre-se a ardência da volúpia dos corpos,
E numa voz fina e aguçada, ouve-se:
- Vem!... Desvenda-me num beijo...
Que o tempo esgota-se no infinito.
E mostra-me...
...a terra desconhecida que me invade
...o quanto te amei antes de te encontrar!
O silêncio quebra-se e a luz revela o teu vazio!
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