20 de março de 2011

Dança solitária!

Bem aventurada a esperança!
Que me carrega nos braços por te amar infinitamente
de outras épocas, dos tempos da eternidade.
Neste embalo, de um consolo angustiante
estendo os braços ao céu, e solto um lamento no ar.
Ao longe… o eco devolve-me o retorno
provindo dos teus lábios, que volta para me abraçar
em palavras de cetim e silêncios de veludo…
tecidos em terras do irreal
e imaginados nos milénios da era de encantar!
Perdida entre as estrelas cadentes
rogo à lua, ao sol e ao mundo
que me devolvam o teu rosto
me devolvam ao passado, à vida!
Qual razão de viver?!...
Encarcerada nas grades do tempo
na prisão da tua imagem que permanece em mim.
Abençoada a alegria e a paz!
Que povoam a minha face de sorrisos infindos
colhidos no teu jardim.
Atravessei os oceanos, rasguei tempestades
e enfrentei dragões de fogo, nas mais árduas batalhas
em busca do tempo perdido.
Mas em fúrias desmedidas me perdi
e em desejos me alcancei
só para te encontrar de novo dentro de mim.
Toco nas tuas palavras!
E peço à noite que me devolva os sonhos
que se encontram às escondidas dos corpos
cantando e dançando melodias sem fim
numa dança misteriosa de sentidos.
Em silêncio… baixinho!
Ouço-te de novo pulsar…
Chamo-te, clamo por ti!
Procuro-te por toda a parte
na ânsia de te sentir e amar mais um pouco…
nesta réstia de encanto divino!

17 de março de 2011

Sombras!

Neste dia de danças de sombras!
Fico-me…
Assim… deitada no chão frio e gelado
onde pisaste com teus pés de veludo
e adormeço a um canto da sala
em busca de ti no meu sonho!
Metade de mim clama o teu nome
a tua pele na minha
a língua dos teus desejos
que sem pudor atravessam o meu corpo!
E a outra metade…
afasta-te as mãos macias
que me provocam os arrepios
quase sempre sentidos em sussurros sem eco!
Larga-me…
…ou ama-me!
Em súplica te peço que rasgues
a maldição da vida, que está cravada no peito
e que me deixes chorar pelos dias
sombrios da existência que ficou à margem
dos meus sonhos!
Faz-te flor em mim,
neste semear balançado no vento
e verga-me aos teus desejos!
Assim, aqui e agora…
… neste segundo que me cega os olhos
mostra-me de que matéria efémera é feita
a palavra sagrada que guardas na alma
que me aquece em delírios de encantar
quando o meu corpo respira no teu
e a minha boca se alimenta de ti!

11 de março de 2011

Oh... doce salvação!

Oh… vida!
Esculturas rabiscadas nas sombras do sol
Dos ponteiros de um relógio parado
No tempo, e no espaço sideral
Nos segredos narrados nos teus lábios
Nas promessas malditas por cumprir
E lançados em suspiros da morte!
Oh… engano indecente!
Que lavras com tinta do meu coração
Este chão sem cor…
Num sopro de fantasia irreal
Busca em mim, em cada pedaço meu
A glória de outros caminhos mal traçados
Asfixiados entre os meus dedos
Quão espinhos de sangue
Na harmonia das palavras desditas pelos Deuses!
Oh… morte anunciada!
Quão longe vai a tua sorte
Lançada em sussurros nos meus ouvidos
Neste limbo da vida ensolarada
Pasma de acoites, cheia de vazios sem fim
Como náufragos em oceanos revoltos
Assolados pela má sorte, consumidos pela dor
Mergulho de olhos abertos num feitiço encantado
Da tua voz dócil entrelaçada na minha
Nas ondas que florescem no teu olhar!
Oh… cadência infinita!
Distante da minha afeição
Recua no tempo, e faz-me tua
Sem dor, sem pudor, sem perdição
Num bálsamo piedoso
Enxovalhado pelo perfume das rosas
Do toque das tuas mãos nas minhas
Na pureza das lágrimas invertidas
Esgotadas em versos desfeitos!
Oh… senhora do mundo!
Lançada na arena da vida
Guerreira de espada em punho
Corta-me ao meio, e entrega-me ao sonho
Nesta imortalidade de desdém
Que paira no ar… na neblina dos dias
Cumpra-se a profecia, acorda-me das sombras
E diz-me que nasci dentro do teu peito!

9 de março de 2011

Instantes!

Na calma da tarde desce o luar sereno
crescem alegrias nas estrelas
e o vento segue sorrateiro o seu caminho.
A noite penetra escuridão adentro
e lança nas árvores o seu manto escuro
cobrindo de doces sons, o frio que envolve o mar
num vai e vem constante…
E de mãos dadas…
no silêncio dois corpos se encontram
se misturam e dançam em cheiros de saudade,
num voo solto de liberdade
duas almas se reconhecem mais um pouco
e trilham um caminho desconhecido.
Tocam no sonho, tocam no impossível
na visão do passado projectado no futuro,
num instante sem retorno
sem volta ao principio, ao fim anunciado.
E seguem pelas pegadas da ternura,
num embrulhar de pura magia,
encaixando peças soltas do destino
onde o silêncio geme mais alto,
onde os sorrisos abundam no olhar profundo
e nos lábios renascem brilhos cintilantes
em palavras de paixão e desejo.
E a cada toque um fio de puro equilíbrio
onde a perfeição se funde e reina,
onde a solidão se rende por completo
abandonando a vegetação circundante
deixando apenas as carícias do olhar tímido da lua
estampado no negro da noite!

7 de março de 2011

Ao fundo!

Ao som do ruído morno do mar
Ao longe gaivotas passeiam no ar
No horizonte a neblina
Caminha na minha direcção
Suavemente envolve-me em seus braços
Beija-me a face e incendeia a alma
Deixa em mim um cheiro de maresia
Agarrado nas mãos vazias de cores
Quentes de notas musicais
De repente, numa espécie de salto no tempo
Uma réstia dos raios frios do sol
De inverno aquecem-me a pele
E no rendilhado da espuma
Deambula um corpo
Cansado da frieza dos tempos
Do retorno ao passado
Do romper dos traumas, dos dogmas
Agarrados na pele, presos na ponta dos lábios
Que já nada sabem cantar
E se encerram em melodias tristes
Em monólogos a duas vozes
No romper da aurora
Quebra-se o silêncio dos pensamentos
Solta-se um grito do fundo da alma
Que se entrega ao mar de braços abertos
Peito desnudo, olhar inquieto
Na derradeira onda de salvação

3 de março de 2011

Marcas para sempre!

Desta vez e porque o tema me inspira a algo mais sério, vou falar de violência, e esta veste tantas formas quantas a nossa imaginação pode alcançar, desde e violência praticada aos idosos em lugares chamados de “lares”, violações praticadas por mentes descontroladas, assédios laborais, violência contra as crianças, e como um dos exemplos mais marcantes da era moderna temos o bullying, e se pensarmos bem qualquer tipo de crime é uma violência à integridade humana, seja ela física ou psicológica. Mas optei por deixar apenas uma pequena nota sobre uma violência que andando de mãos dadas com outra passa tantas vezes despercebida e atinge de forma quase irreparável a suas vitimas. E estou a falar mais concretamente da violência doméstica, mas não a física, e palpável, que é facilmente provada em tribunal e em que as vitimas se podem livrar do agressor, falo daquela violência verbal, psicológica exercida ano após ano de um sobre o outro, não deixando quase ar para respirar, fazendo com que o alvo da agressão se sinta a cada dia mais inferior, ao ponto não se achar capaz de ser mais nada a não ser a sombra do próprio agressor. Essa violência tantas vezes encoberta, é reflexo da existência de mentes que se sentem inferiores, e que não conseguindo livrar-se desse complexo de inferioridade, o transferem para a outra parte, manipulando constante e continuamente até ganharem a guerra psicológica, e desse modo sentirem-se superiores aos outros. E podemos pensar que isso acontece só aos outros, e acontece a quem não é seguro de si, ou com baixa auto-estima, mas estamos enganados, este campo é demasiado frágil para acharmos que somos capazes de lidar com alguém assim, porque o perfil mais corrente é exactamente a procura de pessoas bem resolvidas, com uma cabeça feita, com uma excelente auto-estima, que com sua a simpatia, a extroversão o agressor consegue conquistar, para depois subjugar lentamente. E neste campo, não podemos dizer que esta situação se passa apenas do homem sobre a mulher, porque o inverso também existe, e qualquer marca deixada por uma situação destas é uma marca difícil de apagar para o resto da vida, porque toca na alma da gente!

Participação no tema de Março

1 de março de 2011

Há dias assim...

Há dias que já nascem diferentes, tem uma cor diferente… tem um riso que alcança a alma mesmo sem lhe tocarmos, parecem abraçar-nos e encher-nos de mimos sem os termos recebido, ou sequer estarmos na presença de alguém. Há dias que acordamos e os olhos brilham com a intensidade dos dias de verão… outros dias são escuros como a noite, onde impera o vazio, as trevas, o silêncio… e sem pensarmos desejamos passar levemente por eles e não nos detemos com medo de nos magoarmos, porque o arrepio na espinha já é o suficiente. Calamos o que se esconde lá no fundo, e nem deixamos os olhos falar… Há dias que temos vontade de gritar ao mundo as dores que carregamos para que nos oiça, e nos devolva a paz… Há dias que sem precisarmos abrir a boca, o coração se aquieta e sente-se selvagem, sem grades que o impeçam de voar… Há dias que são dias de amor, dias de semear… atirar ao vento os sentimentos mais nobres, e esperar que floresçam em rosas e dálias de cores vivas, de perfumes envolventes… Há dias que as tempestades em fúria derrubam tudo e nada deixam para colher, a não ser um réstia de esperança. Sim, aquela que apesar de tudo nos mantém ligados aos sonhos, aquela que acompanha sempre o nascer do sol de todas as manhãs. Há dias de sempre sorrir, mesmo que estes escondam as lágrimas salgadas… há dias que parecemos carregar o mundo nas costas como uma mochila cheia de pedras… há dias que nos livramos do cansaço, jogamos as pedras fora, erguemos a voz em tons mudos e arrebatamos o mundo nas mãos, sem deixar espaço para a tristeza, para a amargura, para a dor, e esquecemos o quanto custa caminhar todos os dias… Há dias que nos sentimos na beira da estrada sem rumo nem destino traçado, fazendo os dias mais longos que as horas… Há dias que nos sentimos mais leves que uma pluma no ar, nem precisamos de nos esforçar para respirar, que tudo flúi, as palavras ditas são as mais certas, até as pausas se fazem no minuto exacto… Há dias que não são dias, sem principio nem fim!

25 de fevereiro de 2011

Palavras pintadas!

Desenho-te numa tela branca,
Com as pontas dos dedos como pincéis de seda
De cores fortes, suaves
Entre sorrisos pretos emaranhados de lágrimas transparentes!
De feitiços enrolados entre a cor laranja da vida
Em ruas cheias de vazios amarelos e verdes...
Em cada traço cinzento
Uma rua comprida de emoções
Nos rabiscos coloridos
Versos de uma vida salpicada de sentimentos
Pintas e riscos… azuis e brancos
Que sem fim, e na tela alva renascem
Em forma de outras figuras esquecidas
E pintadas a carvão
Reconhecendo as borboletas multicolores
Em mensagens musicadas, desafinadas
Apenas audíveis a quem anda distraído
Redesenho-te em papel branco,
Em folhas de cartão,
Jogadas no lixo, amarrotadas pela letargia do ser
Enchendo corações incendiados de paixão
Pintados de vermelho...
Rasgo a memória!
E percorro os trilhos de uma outra história
E pinto-te de novo com cores de violeta,
Que mesmo contra a vontade
Saltam aos olhos de quem passa
E não pára para olhar-te,
Sequer sentir-te num toque, num gesto
Num olhar indiscreto!...

23 de fevereiro de 2011

Um suspiro profundo!

Acordando de mansinho… num silêncio rouco
duma lágrima cristalina escorrida
do uivar das ondas que vêm e que vão
sem nunca parar…
Onde o mundo poisa levemente a mão
subindo uma espécie de escadaria de ilusões
percorrendo prados verdejantes de flores douradas
na terra do nunca… onde repousam os sonhos!
Quero-te de novo na palma da minha mão
ao alcance do olhar da alma
sem censura, sem pressa, sem dor
numa união única do ser
sem fantasmas, sem máscaras…
transparente como um rio que corre sereno!
Faz-me beber dos teus sentimentos mais ocultos,
do sangue que corre nas tuas veias,
e que fazem acelerar as batidas do coração
deixando a alma em completo delírio!
Renasce de novo em mim…
num suspiro, num gesto, numa carícia…
sentindo o leve toque da saudade,
com cheiro de mar salgado
numa sintonia desencontrada da realidade sonhada
que sorrateiramente vem chegando até mim
de pés descalços e uma mão cheia de nada…
tentando alcançar a outra margem
numa fuga sem perdão, num rasgo de pura loucura!

Poema de participação no tema de Fevereiro 

18 de fevereiro de 2011

O silêncio...

Passamos nesta vida ansiosos por falar, ganhamos até prémios na escola por sermos os mais participativos… e esquecemos que o silêncio tem uma voz que é preciso ser domada, e treinada, para se escutarem as palavras certas. Andamos tantas vezes no meio da multidão barulhenta em busca de nós, da alma que tantas vezes se perde dela mesma, ficando à devida sem saber muito bem como retornar a casa. Criamos laços afectivos por um amor, por uma paixão… e tantas vezes vamos caminhando em silêncio ano após ano, transformado em hábito rotineiro os silêncios mudos dos nossos desejos, ambições, sentimentos, … e um dia somos obrigados a parar para ouvir todo esse barulho que incomoda o nosso silêncio, que invade a nossa paz interior. E se escutarmos bem, o silêncio que cresce durante anos, grita incessantemente para se libertar, grita e fala de coisas que muitas vezes havíamos esquecido, deixado para trás… e quando os dias se tornam mais compridos do que deviam, quando durante o nosso trabalho não se consegue fazer cessar os nossos pensamentos, a paz está definitivamente colocada em causa, e em perigo. As nossas palavras são sementes que deitamos à terra da vida, e é necessário que cuidemos que elas sejam semeadas em terra fértil e não apenas largadas ao vento. Choramos o que não temos e esquecemos de agradecer o que tanto que temos. Se olharmos em volta é provável que encontremos um sorriso que abraça sem tocar, uma palavra que aquece a alma sem ser dita, um beijo sentido no silêncio de um olhar, tantos os silêncios que nos envolvem e que tantas vezes não paramos para escutar. E fico-me no silêncio deste minuto em que escrevo e tu lês… “O resto é silêncio.” William Shakespeare

15 de fevereiro de 2011

Devolvendo-te (me)!

Os dias…
contados nos contos de fadas,
sussurados baixinho pelo assobio do vento,
na dor lancinante da intimidade das horas
num suportável vicio de ti
tentando parar o imparável acontecer…
Subi à rocha mais alta,
e caminhei pelas águas do mar
em busca de ti, da tua sombra em mim,
como quem venera pensamentos indecentes
num silêncio mortal…
Colado na nudez das tuas curvas em mim
e num desequilíbrio estonteante,
observo o remexer dos sentidos das borboletas
que voam sem parar, poisando apenas…
nos olhares perdidos de mim,
nas mão vazias de ti, que se estendem contra o céu
e vão passando pelas cinzas suspensas da vida!
Presa às esperanças vãs do amanha,
trespassada como uma espada no peito,
olho-te uma vez mais e…
parto o reflexo de ti no espelho riscado do passado!
Subitamente, num grito agudo quebra-se a magia,
e no rosto nascem novos sorrisos,
que bruscamente secam o gelo das pingas de chuva
que vão caindo lentamente dos meus olhos,
E num lamento sofrido… acendo uma vela
debaixo das estrelas reluzentes e suplico à noite
um desejo infindável de não mais largar-me!

14 de fevereiro de 2011

Ardente paixão!

Viajo pela emoção do desejo,
e subitamente paro num beijo imortal,
preso, devorado pela memória
e lançado no enredo de outros tempos…
Sem resistência, deixo-me ir…
transporto-me no encanto no pequeno
espaço entre os teus lábios,
no calor morno dos teus abraços,
num embalo irreal da loucura do teu cheiro!
Ao toque da musica da tua voz
percorro veredas encantadas
da recordação estática do silêncio…
guardado dentro do baú das almas,
e esquecido no sótão das lembranças…
que se apagam com um piscar de olhos!
Paro, olho-me num reflexo intemporal,
sacudo a poeira que trago nas mãos,
e levemente caminho pelo toque da sedução
que me envolve num balançar quieto
da aurora da noite, que ainda está para chegar!
Sem demora, e sem pressa
serpenteio os dedos suavemente
pelos gritos e suspiros de cristal colados
no meu corpo sedento de ti,
que num deslize mimado pela paixão
e numa súplica errante ao destino
deseja voltar a flutuar em algodão doce…
na magia pura do sonho
que se perdeu entre vozes do passado!

10 de fevereiro de 2011

Reconhecendo-te!

Alinhavando o futuro
em pétalas de doçura pingadas
de fantasias e loucuras…
amarrotadas pelo tempo.
Serei eu? Serás tu?
Um dia caminharei em ti
preenchendo todos os vazios
e espaços obscuros,
escritos em rascunhos de mim!
Caminharei, sim…
como tu caminhas em mim,
desde sempre, e para a eternidade!
E de mansinho, em bicos de pés,
para não assustar,
nem teres oportunidade de fugir
de mim, ou de ti…
ocuparei, sem timidez e pudor
esses espaços em branco
que esperam ser resgatados do passado!
Reconheço-te em cada traçado,
tecido em pedaços de ternura
deste futuro que nos espera
juntos, unidos como um só ser iluminado.
Serás tu? Serei eu?
Seremos nós…
Selados em desejos secretos
encontrados em cada canto teu
e acorrentados no limbo do presente!

7 de fevereiro de 2011

Leve toque do amor!

Num suave gesto distraído,
num embalo perdido nos teus braços
sonho…
entrelaçar o meu sono no teu
em que cada suspiro saído em silêncio
na ponta do meu sorriso
se mistura em cheiros indescritíveis
imaginados…
em proibidas aparições nocturnas
como a luz do luar que vem beber
no espelho liquido do mar!
Balançando levemente nos acordes do vento
dois olhares bailam passo a passo
deslizando num delírio sem fim…
e perdidos no sonho
dois corações acelerados  flutuam
como searas maduras
na fantasia dum encontro místico dos tempos
de contos de fadas e finais felizes!
E de cor de rosa se cobre a noite
numa delicada dança
de sabores…
onde  a tua boca pousa na minha
e numa carícia delicada seduz a alma serena
em encantos mil
num beijo doce e apaixonado!

6 de fevereiro de 2011

Um ano de blogoesfera

Faz hoje um ano que entrei neste mundo da blogoesfera e abri as portas ao meu blog Angel in the Dark, e embora este meu espaço seja mais dedicado a palavras poéticas ou pequenas reflexões, não podia deixar passar a data em branco. Abri aquele espaço para meu consumo próprio e nunca imaginei o enorme carinho que iria encontrar pelo caminho, porque mais do que qualquer outra coisa, buscava-me a mim na tentativa de me auto revelar, nele deixei muitas palavras de sonhos, desejos, dor, solidão, paixão e tantos outros sentimentos vividos e relatados em palavras de sabores e cores várias, e hoje, mesmo mantendo encerrado esse canto como uma página estática e imortal do meu passado não posso deixar de agradecer todos os que me seguem, e todas as palavras de ternura e apreço que sempre lá deixaram, e que alguns continuam deixando aqui. E no fim desta caminhada, porque a vida é feita de ciclos, divididos em momentos interligados, o objectivo primordial a que me propus alcançar nestes doze meses está atingido, e parecendo fácil, nunca o é, quando o que tentamos encontrar é a nós mesmos, e nos desviamos várias vezes do que realmente é importante e nos traz a felicidade para continuar o caminho incerto do futuro. E não adianta seguirmos palavras de outros, embora saibam bem e nos ajudem, podem até indicar um caminho mas é necessário senti-lo debaixo da pele, e deixa-lo crescer e vir à tona ganhando raízes mais profundas em nós. E silenciar o Ego refilão que muitas vezes nos quer levar por caminhos que não são os nossos é uma tarefa árdua e dolorosa, mas gratificante no final, mesmo que isso implique deitar abaixo a construção de toda uma vida e voltar a recomeçar, porque nunca será uma perda de tempo… porque o dedicamos à pessoa mais importante, e que deve ser sempre a nossa primeira prioridade, NÒS, e apenas por essa pessoa devemos lutar, porque sem um verdadeiro equilíbrio interior a vida não é bem vivida, portanto NUNCA DESISTAM DE VOÇÊS MESMOS, porque só conseguindo ser felizes podemos fazer felizes os que fazem parte da nossa vida, como a família, os amigos ou um amor.

1 de fevereiro de 2011

Sonhei-me!

Sonhei-te… tantas vezes
e outras tantas te apagarei,
reescrevendo sempre um novo futuro,
um novo sorriso,
pintado das cores da minha alma
tecido em panos de algodão
em lençóis de seda
que me envolvem e devolvem
o brilho do olhar!
Alcancei as estrelas
na tentativa de estender-te as mãos
e oferecer-tas
mas não queres estrelas
preferes a lua sem brilho
num luar encantado,
sem principio nem fim!
Inventei-te… vezes infinitas
e em tantas quimeras te esqueci,
contando histórias de ninguém
sem risos, sem palavras
em bordados de nuvens cristalinas
onde o arco íris te mostra
o caminho da felicidade
dos silêncios que me inundam
na infinita forma de amar!
Agarrei o sol...
e roubei as nuvens negras
que ofuscavam a sua luz
e apenas sobrou um teto sem cor
onde rasgas a existência
insípida de ser!
Mas não desisto jamais!...
Serás uma parte dos sonhos
que sonhei, que ficaram perdidos
no turbilhão do tempo e do espaço,
inventados num céu cor de púrpura
onde a vida se semeia
de parábolas inacabadas
com um fim pré-determinado
num ensaio já realizado
e escrito nas constelações do universo!

31 de janeiro de 2011

Um amigo!

Um dia de sol brilhante,
um dia de cinzento escuro,
e tu estavas lá sempre
de mão forte estendida,
que firmemente me segurava
mostrando-me os caminhos
que teimava em não querer seguir!
Limpaste as lágrimas
que me fugiam dos olhos,
abriste o meu coração
e plantaste a esperança
mas na dor
eu não via, nem acreditava!
Como um anjo,
caminhaste sempre a meu lado,
guiando-me os passos
numa derradeira tentativa
de me fazeres ouvir
o som das ondas do mar,
o som do vento,
que sussurrava ao longe…
Suavemente…
curaste  as feridas do meu rosto
com teu sorriso encantador
e mostraste-me o azul do céu
espelhado em teus olhos
mas eu não via, nem queria ver!

29 de janeiro de 2011

Escrever...

Escrever para mim não é juntar letras apenas, é deixar os sentidos falar mais alto, é deixar que os sonhos que me habitam se libertem e sigam o seu caminho, é soltar-me ao vento sem direcção certa, é amar a tudo sem regra, sem limites, sem julgamento, sem imposição. Escrever é ser capaz de voltar a ser criança depois das lambadas da vida me ensinarem a ser dura, a construir muros em vez de laços, e depois das lições que aprendi ainda conseguir olhar de frente, cara a cara, o infinito, o abismo, a solidão… sem que estes me engulam e me dominem. Escrever, é ser solitária mesmo quando estou acompanhada em todos os minutos, mesmo quando alguém julga entender-me, será sempre um acto isolado da alma, que grita e não quer permanecer encerrada dentro de si. Escrever são os raios de sol que me entram pelos olhos dentro, são os cheiros das flores do mato que me invadem o corpo, são as sensações que a natureza provoca em mim de cada vez que ela me mostra a sua força imperativa, a sua grandiosidade, são os sorrisos que se abrem nos meus lábios ao observar o simples voo de uma borboleta. Escrever é tudo o que faço na vida, nas palavras que me compõem e descompõem, nas que me formam ou não, nas que eu agarro no ar, e nas que me fogem de vista. Escrever é a minha alma que fala como mensageira do universo!

27 de janeiro de 2011

Pelo caminho da saudade...

Na beira da estrada,
a alma grita em agonia
desassossegada,
pela ausência, pela falta…
…
Do acetinado toque dos teus dedos
que em silêncio se entrelaça ternamente,
que desenhando novos traços curvilíneos,
terminam num abraço que reconforta!
Perdida no brilho do teu olhar puro e doce,
que toca o meu coração de mansinho,
percorre cada canto do meu corpo
um singelo arrepio inimaginável!
E num assalto inesperado de desejo
a tentação invade o caminho da imaginação
ao escutar um sussurro leve e suave
cantado baixinho ao ouvido,
onde de olhos fechados,
ecoa como uma melodia sem fim!
Explodem sorrisos intensamente partilhados!
Embriaga-se o espírito na fusão das memórias
das emoções conhecidas e desconhecidas
que se fundem em suspiros de ternura!
E é como um raio de sol,
que acaricia uma manhã de primavera
o som da lembrança profundamente sentida
do calor daquele beijo demorado
que como por magia acordou todos os sentidos
unindo os corpos e as almas!
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