Prostro-me diante da tua beleza
Infame, de vestes encarnadas
Exultai o corpo, cansado, exausto, perdido
De pisar as chamas do pecado
Temeria tua mão…
Se não fosse eu tão casta e virginal
Arrancando ao corpo, os desejos insanos
Das promessas (in)cumpridas
Que ardem nas labaredas do inferno
Qual Anjo incauto! De beleza tamanha!
De alma mais pura que a água
Em que me banho…
São meus dedos o sangue que percorre
Essa seiva que te lateja no corpo
Que bebo sofregamente do cálice da vida!
Enganas-me com esses olhos!
Negros como a noite, onde os sonhos vão (re)pousar.
Doce perdição, qual pecado sorvido
Nas entranhas devoradas pelo prazer…
Ai! Como estremeço ao ouvir a tua voz…
Qual melodia de Arcanjo!
Que me suga e esfolha o ser, pétala por pétala
Rasgando o véu da inocência lasciva
Num múrmurio lânguido de (des)amor
Desenhado no vermelho dos lábios
Suplicando ansiosamente por um beijo meu
Suplicando ansiosamente por um beijo meu
No aconchego da minha mão entre as tuas...
Abres-me as pernas, como pórticos do Éden
e serves-te do repasto divino!
Mata-me! Nesse recanto escondido…
Onde foges para chorar a tua dor
Vinde! Que te sonhei outrora!
Por entre lamentos e gemidos
Nesse medo voraz que se alimenta de segredos!
Participação no tema de Julho

















