19 de julho de 2011

Um pedido apenas!

Cantai, cantai, as harpas no universo imenso
Oh! Chama de um Deus perdido
Luz do meu olhar, fervor da minha carne
Dai-me a mão, num toque celestial
Como estrelas aladas da noite
Neste frio que o vento traz de volta
Embala-me a alma, numa sinfonia hipnotizante
Deixa tocar sem parar…
E faz-me juras de amor eterno!
Tocai, tocai, os sinos do meu coração
Oh! Beleza singela de um Anjo
Que de rosas me cobres, como vestes de veludo
Cor de púrpura, cor da paixão
Aquela que vagueia livremente pelas estradas solitárias
Das entranhas que me fazem tremer
Vestidas de grinaldas dos roseirais selvagens
Fecha os olhos e mergulha no sagrado perfume
Do meu corpo, escravo do pecado
Deste desejo voraz de apenas te tocar
Dançai, dançai, a valsa da meia-noite
Oh! Ave selvagem, de rugido felino
Leva-me a voar nas asas das tuas carícias
No calor que me enternece os seios
Dos abraços infindos que os teus olhos me enlaçam
Na pureza virginal de uma lágrima por derramar
Canta-me pela madrugada… palavras
De estremecer, da luxúria encerrada em teus lábios
De voz trémula, a sussurrar baixinho
- Dá-me apenas um beijo!

13 de julho de 2011

Perdida no teu aroma...

Moldo-te… desenho-te!
Deixo-me cair no abismo de mim...
Entre as paredes da minha oblacção
Entre os espaços esguios das minhas mãos errantes,
Que bailam ao sabor dos teus beijos… mortais,
Indeléveis, fatais, em tons de carmim
Que caiem como fragmentos suspensos do passado
Rodeias-me de palavras inocentes, num círculo vicioso, atónito
De conjugações profanas, num tormento sem (ar)rasto
Presa entre as correntes dos devaneios infligidos pela ternura
Dos sacrilégios invulgares provocados no sagrado altar
Do teu corpo, onde os meus dedos cometem pecados
Como fantasmas ancorando num porto sem destino,
De um qualquer universo perdido no ar que respiro (s)em ti!
Transfiguro a matéria viva do meu ser
Esse vulto (im)perfeito, incrustado no meu pensamento
Na luz dos teus olhos, brilhantes, iluminados
Desvirtuando a realidade perfeita onde te vestes de mim
O sangue fervilha-me na carne quente, sedenta, lasciva
Dessa maldição enviada pelos Titãs do Olimpo
Tornas-te na bebida mais doce, o mel onde me besunto
Doce tentação, louvor da minha alma
(im)pura, que se (re)veste de segredos e fantasias
Adocicadas pela impiedosa inocência
Desta queda (in)certa dos prazeres oferecidos
Adormeço em ti!

8 de julho de 2011

Apenas e só... um lamento!

Ai lamento! No rasgo das minhas mãos trago a angústia, as feridas, a palidez de ser... girando em redemoinho, contra ventos tempestuosos e agruras sem fim, por mares, ribeiros e rios ainda não atravessados, e em pés descalços me banho nesse leito de silêncio. Semeio palavras, mimos, sorrisos... um sem fim de doces lamentos, numa terra infértil, onde caminho acompanhada apenas com a minha presença. Atravesso desertos, montanhas, picos e vales e é sempre a neve mais dura se que derrete no fundo da alma. Fujo sempre, fujo de mim... não importa! Apenas se fecha o pano no final do desenlace fatal, no derradeiro minuto contra todas as vontades, os vícios, os defeitos, que se levantam em prol duma inocência corrompida pela tortura de um amanhã ainda não vivido, de um passado já ido, amarrotado pelas horas mortas do dia. E são horas, as contas que me passam pelos olhos cegos pelo cansaço de tanto ver! Serei eu, ou só uma mortal caminhante na estrada ingrata e árdua da vida?!... Vivo na ausência dos sons que outrora povoaram a minha vontade, vivo por entre os dedos da razão que se fecha e se cala, vivo neste véu inocente de fantasia estonteante, vivo no fervor do sangue que me escorre por dentro, toco-me a alma gritante pela dor lancinante da escuridão... Sou um tudo feito de nada, das paredes apertadas nas entranhas do peito, habitante dos fantasmas da outra era, fruto dos batimentos cardíacos de um coração impuro que parou no tempo! Agora que as sílabas parecem fugir-me, que as letras se repartem por outras palavras, formam outros parágrafos, outros sentidos (res) e dão as mãos longe de mim, abraço-me a mim... Abro as mãos, e já não tenho nada! Ai lamento!...

6 de julho de 2011

Segredos... ruídos da alma!

Oh! Indolência divina! Qual sonho de perdição!
Prostro-me diante da tua beleza
Infame, de vestes encarnadas
Exultai o corpo, cansado, exausto, perdido
De pisar as chamas do pecado
Temeria tua mão…
Se não fosse eu tão casta e virginal
Arrancando ao corpo, os desejos insanos
Das promessas (in)cumpridas
Que ardem nas labaredas do inferno
Qual Anjo incauto! De beleza tamanha!
De alma mais pura que a água
Em que me banho…
São meus dedos o sangue que percorre
Essa seiva que te lateja no corpo
Que bebo sofregamente do cálice da vida!
Enganas-me com esses olhos!
Negros como a noite, onde os sonhos vão (re)pousar.
Doce perdição, qual pecado sorvido
Nas entranhas devoradas pelo prazer…
Ai! Como estremeço ao ouvir a tua voz…
Qual melodia de Arcanjo!
Que me suga e esfolha o ser, pétala por pétala
Rasgando o véu da inocência lasciva
Num múrmurio lânguido de (des)amor
Desenhado no vermelho dos lábios
Suplicando ansiosamente por um beijo meu
No aconchego da minha mão entre as tuas...
Abres-me as pernas, como pórticos do Éden
e serves-te do repasto divino!
Mata-me! Nesse recanto escondido…
Onde foges para chorar a tua dor
Vinde! Que te sonhei outrora!
Por entre lamentos e gemidos
Nesse medo voraz que se alimenta de segredos!


Participação no tema de Julho

30 de junho de 2011

Dá-me apenas a mão!

Silenciosa e lentamente...
Deixa que o vento sopre... provindo das profundezas do ser
onde as searas me cheiram ao sabor dos teus beijos
de uma memória esquecida, inventada…
Toca-me levemente…como o desabrochar de um botão de rosa!
Pousa apenas a tua mão na minha, fecha os olhos...
e deixa-me conduzir-te pelos silêncios do nosso olhar!
Segura-me pela cintura... numa conquista silenciosa
onde sinto o toque de um abraço… leve, solto, apertado…
justo entre o espaço que cabe dentro das minhas mãos!
Desliza comigo nas sombras da fantasia… onde habitam
apenas os gemidos e os suspiros de uma alma sem fôlego!
Deixa que os corpos cantem... a música do nosso amar!
Num tom baixinho… sussurrando… flores, borboletas, beijos
em palavras não faladas, despe delicadamente
o manto estrelado do coração, e mostra-me as cores,
os sabores e os odores com que o visto!
Teu rosto colado ao meu... à fina distância de um roçar de lábios,
teus braços envolvendo minhas curvas, num entrelaçar intenso
de pernas ... onde se rodopia ao sabor do vento….
onde os sons dos pássaros assobiam no tom da tua voz!
Onde fico presa como uma bola de sabão
entre os lábios dos teus sonhos… na planície da tua alma,
percorro veredas verdejantes com a ponta dos meus dedos
entre vales e montes de uma terra ainda por descobrir…
Dança comigo!… Cada passo, riscado, traçado incerto
que o teu olhar meigo desenha nas minhas curvas
nos segundos sorvidos pelo tempo, onde fecho os olhos
e me abandono a ti… sente… sinto… sente-me…

24 de junho de 2011

Minhas mãos vazias...

Carrego nas mãos vazias…
O fel dos segredos ocultos da noite da (des)esperança
Acalentando a suave linha da maldição
Teu olhar incerto… me incita a continuar a busca
No breu da noite, os suspiros da melancolia
Despertam o coração adormecido, sufocado pelo veneno
Dos limites da vida, no desespero de um grito
Dos vícios ociosos empedernidos nas curvas da existência
Tua boca cala os sussurros que outrora gritava ao vento
E deambula pelas ruas da tristeza como um moribundo
Farejando a carne fresco… profanando a alma celestial
Essa… que vagueia pelo longínquo espaço da memória
Onde as palavras não têm mais retorno
Nem têm mais eco na luxúria sentida pelos amantes
E meus olhos choram… lágrimas de dor
São as vozes do desespero, da angústia perdida
No tempo em que a morte passeava sem capuz
Como um anónimo sem rosto, e sem nome
O triunfo do vazio alado, cavalgando pelas sombras
Pelos caminhos tortuosos da obscuridade (ir)real
Pelos sepulcros da noite…
Um lunático invade os lamúrios do desejo insano de te possuir
Numa figura lasciva de se libertar, e no final…
Permanecem os restos dos que já foram sem deixar rasto
Dos que ainda tinham algo para dar ao mundo
E ficam as marcas dos que tudo deram, deixando o vazio…
Que carrego nas mãos vazias…

21 de junho de 2011

No balanço das horas...

De mãos dadas contigo (comigo)
Asas do meu pesar, sentir do meu desgosto
Poesia dos meus dedos, que nasce da nascente dos meus olhos
Corre comigo, de olhos vendados, no meio da escuridão
Sem pensar, sem questionar…
Entrega-te às mãos que te aquecem, que te resguardam do frio
Renascendo neste corpo cansado das quedas inevitáveis do tempo
Das nuvens que se fecham dia após dia
Que balaçam no inverno da tua caminhada
Esvai-se o tempo por entre os dedos, como areia viva
Nesta água com que te baptizo novamente
Solta-te das correntes amargas das sombras
E extingue a dor, o sofrimento, o vazio...
Dessas mãos que para ti se estendem
Deixa que a vida te lamba as feridas
Feche as cicatrizes, encerre os sonhos irreias
E te acalme o fervilhar do pensamento
Faz correr o sangue que te aquece a alma
Das cinzas do que fui e já não sou
Corre por entre espinhos da memória
Arvoredos rochosos da existência que te ferem
E trespassa de vez essas paredes apertadas da alma
Da clausura das (des)ilusões…
Sente-me apenas… no bater descompassado do coração
E caminha apenas a meu lado
No leve toque da translúcida mortalidade

17 de junho de 2011

Desejo!

Uma noite estrelada
Uma lua redonda
Um silêncio parado no escuro
Um corpo torneado pelos deuses move-se
Nas sombras, lenta e languidamente
Ao som da musica de um olhar penetrante…
Onde os acordes sonoros apenas são audíveis
Num enlace perfeito pelas almas em uníssono
Uma mão que serpenteia cada curva macia
Um arrepio desce espinha abaixo
A roupa largada no chão
Bem devagar… demoradamente...
Um suspiro solto no ar
Um movimento mais de sedução
Numa dança, ao mesmo tempo, delicada e atrevida
Onde a pele se encosta suavemente e se afasta de seguida
Um convite a um beijo
Entre lábios molhados e húmidos
Onde o desejo se masturba em encantos de ternura
No ondular de sensações que invadem a mente
Descontrolada, em excitação
Um despir devagarinho em mimos e carícias
Um subir de temperatura
Um acelerar do coração
Uma boca sedenta
Um cruzar de pernas, num encaixe de coxas
De querer mais, desejar mais…
Um gemido no escuro, um eco pelo universo
Uma respiração ofegante
Onde uma boca cala os gritos da outra
No êxtase final!...

12 de junho de 2011

Um silêncio parado no tempo...

No meio do nada, sento-me no escuro…
O sol já fechou os olhos, e se foi…
Esvaindo-se em minutos prolongados, pelo esquecer das horas
Ao longe o uivo do lobo ecoa no horizonte
Acorda a noite lentamente…
Um manto estrelado vai cobrindo de negro a noite
sob a luz de uma lua brilhante bem lá no alto
Sinto nas minhas mãos o gosto da terra que me pertence
e o leve abraço dos sons que me circundam
Um olhar se eleva aos céus, num pedido aos deuses e aos anjos
um leve  piscar de olhos, uma lágrima se solta…
silenciosa pelos restos mortais... das folhas secas que voam ao vento
E o silêncio invade… a floresta adormecida que me rodeia
e no sussurrar do vento apenas os grilos cantam
na profundidade da noite...
E a terra, senhora de mim, murmura uma canção de embalar
em acordes delicados e cintilantes espalhados pelo luar
Fecho os olhos… Solto o espírito livre ao vento!
Que voa em liberdade…
Rodopiando em piruetas que ora sobe uma escalada
rasante ao meu corpo inerte, ora desce à imensidão do universo!
Trilhando em passos perfeitos, um voo ondulante…
pelas copas das árvores, sentindo o doce perfume
do respirar do bosque e da brisa nocturna que me beija o rosto
E danço, embalo, evado-me (e)ternamente…
de asas abertas no sonho, no éter dos meus sentidos
no sorriso aberto da noite, na terra de encantar!

10 de junho de 2011

Republicando!

 
 À flor da pele!


“És tu… eu sei!”

De olhos vendados
Viajo no escuro
Na penumbra das sensações
Nas palavras por dizer
Nos intervalos do silêncio
Nas fantasias geradas
No conhecimento das almas
Nas apalpadelas geradas
Pelas sensações à flor da pele
Cega…
Sem rostos ver
Sentindo com as mãos
Ouvindo os sons do silêncio
Dançando com o corpo
Eclodindo num transe sem químicos
Numa liberdade sem limites
Deixo-me ir!…

Esta imagem foi retirada daqui com a devida autorização da dona


De coração endurecido
me encontrava olhando o horizonte
as marcas do passado…
escondida, brincava com palavras, frases
desejos e sonhos…
entre vidas cruzadas no espelho da imaginação
num anseio de um dia te encontrar!
Fecho os olhos por instantes…
e em lapsos de tempo
sinto os suspiros da tua voz
quente e doce
num discurso de sedução arrepiante!
Nas incertezas do futuro
sonho unir a tua alma à minha
e transformar o presente
numa tentação irresistível de prazer
e deixar o vento soprar… baixinho…
em tom de segredo a mais bela canção,
tocada pela areia fina da fantasia
de estar em teus braços
sentir o calor do teu corpo
num sussurro de paixão
simplesmente dar-te a mão!


Hoje deixo aqui dois poemas que já foram feitos há algum tempo e oferecidos a duas pessoas muito especiais para mim, mas devido a estarem num espaço fechado por mim, volto a publica-los de novo aqui para todos, valorizando as devidas fontes de inspiração (link está no título de cada poema), com as fotos também das postagens originais

7 de junho de 2011

Tudo são rosas...

Enroscada na corda retorcida do destino
estendo silêncios na palma das mãos
Abraço-te (me) e rendo-me de joelhos aos teus pés
São flores que carrego na alma!
Onde um rio corre sereno e calmo, em busca de mim
danço ao sabor do prazer do sonho,
tacteado nas rosas do vazio e da solidão
Abraça o olhar que te persegue! Dá-lhe a mão!
Segura forte! Sem medo!...
Segue um novo trilho rumo à eternidade, e bebe
o sangue da vida de uma só golfada, como um derradeiro grito
rasgado no ar!
Saboreia cada trago lentamente, demoradamente…
como uma fruta colhida no pomar mais fértil, e afasta em delírio
essa mão que te (me) esmaga, em silêncios…
profundos de sons por inventar nessa pauta encadeada de espinhos
Solta a corrente! Que te prende a alma ao chão, e levita
na mais bela e doce melodia, em tons de cor de céu
Corre!... Salta!... Pula!...
E não mais pares…
a não ser no mais profundo do meu coração!
Espeta a dor mais funda com a espada da salvação
e desfaz sem piedade as sombras que te (me) inquietam
Renasce na fénix pintada pelo beijo meu
dado na boca mais doce de um olhar demorado
que te trespassa a alma, sem medo, sem pudor…
Diluindo todos os segredos narrados pelo destino
numa espiral de emoções
soltando a inocência que habita nas profundezas do ser!

4 de junho de 2011

Flashback!

 Pausadamente... passeando os dedos pela memória
Como quem saboreia uma fruta suculenta
Onde os minutos, as horas e os dias permanecem imortais
Onde a alegria é estática e eternizada, e aflora num sorriso
Onde os dedos se entraçam nas imagens da alma
Com as linhas do destino já percorrido…
Vagarosamente…
Lentamente…
Num flashback em câmara lenta…
Perdendo-se no rabiscado das sombras
Dos momentos vividos, sonhados, sentidos…
Como um bálsamo perdido no tempo, num reviver de emoções
Que o passado já trancou no espaço dos sonhos
E numa dança irreal o espírito se eleva noutra dimensão
E volta a ser, a sentir… cada gosto, cada desejo, cada sensação
Experimentados pela primeira vez, como um renascer continuo…
Que cresce e se agiganta…
Em cada estremecer, em cada olhar trocado,
Em cada toque sentido… numa sintonia precisa, perfeita
Num encaixe milímetro a milímetro em cada curva que se encontra
Onde o olhar toca na alma num simples gesto
Cruzando-se perfumes idílicos, misturando-se em cores e sabores
Num gemido profundo…

27 de maio de 2011

Bailado de letras...

Há dias cheios de coisas!...
Há dias cheios de sentimentos, sensações, ideias, opiniões, palavras que me vagueiam na mente… vagarosamente como uma névoa que se instala devagarinho. Há dias vazios de tudo, e cheios de nada, cheios de sabores e odores, cores e afins. Há dias que as palavras me sobram nas mãos, e não tenho onde as colocar. Há dias. Há dias que não são como os outros, com luz e escuridão. Há dias cheios de razões, cheios de casos, cheios e vazios. Há dias que as palavras mascaram a realidade, omitem mentiras, enchem-se de medos e me fogem pela boca. Há dias. Há dias do tudo e do nada. Há dias cheios de pressa, mas afinal custam a passar. Há dias sem coragem e dias de força. Há dias que as palavras me dão um descanso, têm medo de me olhar nos olhos, outros há em que pausadamente me bailam no corpo como um desejo carnal de me devorarem. Há dias em que as letras não se encaixam em lado nenhum, deixam-se ficar amorfas e sem sentido juntinhas à alma. Há dias. Há dias que elas, as palavras, se revoltam e me explodem por todos os poros, de todas as formas e feitios. Há dias em que me enrolam, e me ferem como espinhos, colam-se ao céu da boca de forma pegajosa.
Há dias assim…

22 de maio de 2011

No vazio das minhas mãos...

Quando a noite se cobre de estrelas, e a luz da lua me ilumina o olhar, sobram pedaços de nuvens nas constelações da memória onde bailo contigo de mão dada. Onde o espaço dos teus dedos se entrelaça entre os meus numa dança sensual e dourada pela estrada solitária do coração, residente da alma, que flutua nos raios dum sol nascente nas profundezas do ser. E nos movimentos leves dum som não proclamado, prendo-me nas salgadas saudades de te tocar, do perfume que perdura colado na minha pele alva, do desejo deixado na minha boca. E num suspiro lançado ao vento, revivo nas asas do sonho, duma história inventada por viver, onde o tempo já não tem presa de chegar, onde pára para me acolher, onde me abraça e me envolve num doce desejo, onde as sombras se escondem, as palavras fazem sempre sentido, onde danço com as mãos vazias e plenas de mim, onde as emoções mais fortes são senhoras da vida, rainhas do universo e a nefasta melancolia dos dias, a paranóia de ser e ir mais além não têm mais razão de ser nesta existência, onde tudo é perfeito, e nada mais há a acrescentar…

18 de maio de 2011

No silêncio...

…volto a ser pássaro!
Corro velozmente ao teu encontro
Contra ventos e tempestades
E de repente…
Fico inerte, e paro à distância de um toque
Obscuro das palavras mudas
Salto vírgulas, encadeio-me nos parágrafos alinhados
Enrolo-me nas sensações que me deixam na boca
Apalpo cada contorno das letras que me compõem
Corro de novo, e de novo paro!
E fico-me pela admiração do enlace, entrelaçado
Nos desejos, nas carícias, nos olhares
Que as palavras me lançam pelo esgueirar
Dos livros, dos romances, dos contos e poemas
Com que me visto nas noites frias de verão!

… volto a ser estrela!
Constelações brilhantes riscados no infinito
Luz da vida, que atraiçoa a morte
Ultrapasso-te em vielas escuras do pensamento
Traço novas rotas dos cometas que os meus dedos
Vão desenhando com a tinta das memórias
Transformo os meus pés nas asas do vento
E liberto-me das correntes que me amarram o pensamento
Não! Não quero palavras em forma de promessas
Antes actos renovados que me tocam
Como abraços, apertos de mão e beijos
Com gosto intenso de paixão, luxúria e desvairo
Esmagados em sílabas sonhadas entre pontos e vírgulas
Entre o hoje, o ontem e o amanhã!

… volto a ser árvore!
Cresço, floresço e dou frutos
Semeados nas folhas brancas da vida
Faço sombra às nuvens da minha alma
Volto a fugir para dentro do peito
Para o calor do aconchego das ondas do mar
Nasço e renasço à velocidade das primaveras
Na esperança, na força e na vontade
De nunca morrer… porque sou eterna e imortal!
Brinco com as pétalas das rosas do campo
E toco levemente nas asas das borboletas
Refaço-me nas linhas traçadas pela luz do sol
Num bailado de sons com a lua e as estrelas
Onde os ramos das árvores não conseguem chegar
E voo lá no alto como uma estrela cintilante
Engano a liberdade…
…e volto de novo a ser pássaro!

16 de maio de 2011

Preocupação de mãe!

Qualquer mãe deseja sempre o melhor para os seus filhos, pelo menos o suposto é que assim seja, mas existem situações na vida que ultrapassam qualquer entendimento, qualquer vislumbre de razoabilidade racional quando entre um casal as discussões assumem proporções para além do concebível, para além do que um dia se imaginou viver. E pensa-se: valerá a pena? Será justo que qualquer adulto que tenha dois dedos de testa faça com que uma criança inocente passe pelo tormento quando um casal vai transformando num inferno o seu dia-a-dia? É normal e saudável que por força do egoísmo dos adultos uma criança tenha de assitir a uma guerra inglória?... Estas e tantas outras perguntas ficam sem resposta quando ao invés de um sorriso nos lábios e um brilho no olhar de tenra idade se vislumbra um olhar vago, uma lágrima caída de quem se sente rejeitado pela própria vida, como se não pertencesse a lugar nenhum. É legítimo uma mãe querer colocar a mão por baixo de todas as quedas que os seus filhos poderão vir a dar, mas não será legítimo colocar uma poça de lama para eles se enfiarem lá dentro. É legítimo que qualquer mãe desejando o melhor, esteja sempre lá com a mão estendida, e um colo que não tem tamanho, mas não é legítimo por força do egoísmo ignorar o sofrimento que infligimos aos nossos filhos de cada vez que um dos elementos agride o outro verbalmente, tentando tirar vantagem na frente de uma criança. É revoltante ver todas as situações que as crianças têm de assistir, por via de um casamento que termina mal, onde a razão deixa de imperar, onde nem os bons sentimentos já existem, e os adultos se esquecem de ser adultos,  passando de forma egoísta por cima dos sentimentos e desejos das crianças. O indicador dos divórcios é cada vez maior, estará talvez na altura de pensarmos duas vezes antes de colocarmos no mundo outros seres humanos para os fazer passar por este tipo de situações, e indo mais longe, será talvez melhor pensarmos e olharmos verdadeiramente para o que desejamos, para o que se pretende de um casamento, sem ilusões, sem máscaras, sendo verdadeiros, porque amor não acaba, o que acaba são outros sentimentos aos quais muitas vezes lhes damos esse nome, e que com o tempo se vão desvanecendo. Porque é verdadeiramente revoltante que no final de tanto sofrimento ainda se abandonem as crianças num orfanato como se elas não valessem, nem fossem nada… como se não fossem de ninguém, tornando-as orfãos de segurança emocional. Como se não tivessem sido carregadas durante nove meses no ventre de um ser humano!...

Participação no tema de Maio

11 de maio de 2011

Sem medo!

Ausência de medo, (in)controle de emoções
Visto-me de plumas de cetim,
Desbravo a seara do meu corpo com o teu cheiro
Tacteando mansamente cada pedaço de éden
Construindo pontes, saltando vedações
Percorro cada palmo da alma
Desnudando-a lentamente
Como quem despe um corpo quente
Cheio de si…
Perdendo-se na imensidão dos sentidos!
E na cadência da luz do sol, resgatado pela lua
Solto sorrisos pelos olhos, que te olham
E vislumbram nas sombras da memória
Presas por um fio de ardor, desejo e possessão!
Sou livre! Solto as amarras do silêncio!
Ah! Solto um grito lá do fundo
E imagino-me (te) dentro do meu peito
Sugando cada gota do suor rasgado
Nos céus da felicidade
Como um sussurro surdo ecoando… ao longe!
E com a força dum trovão!
Estremeço as mãos que me acariciam
Na liberdade de te (me) desejar
Levitando na doce sensação de florir
Em cada gesto de ternura, em cada palavra falada
Em cada abraço encontrado entre os teus braços
Em cada desejo escondido nos segredos
Da tua voz… deixando-se o corpo cair
Esgotado de tanto amor e prazer!
E na (in)finitude da razão
Esbarra-se o encadeado das tuas mãos nos meus lábios
Misturando o som, o cheiro e o gosto…
De te (me) amar em cada curva delineada
Pelas dobras da eternidade, quiçá do destino
Sem pressa, sem culpa, sem medo!...
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