8 de agosto de 2011

Cinzas...

Num bailado incandescente de saudade
Choro os dias que ainda não desfaleceram
Cansados, sedentos da seiva que te alimentam!
Canto lamentos escorridos na alma
Doces, (en)cantos de um olhar teu...

Rodopiando incansavelmente te espero
Para voltar a beijar, sentir de novo o toque...
Da melodia triste que canta meu coração!
As lágrimas pintam-se no meu rosto frio, inerte
Preso no cais do tempo, amarrotado, rasgado...

Anseio perder-me em encantos teus!
Guardo acordes surdos do silêncio dos teus beijos
E nas mãos o perfume das rosas derramadas!
Em explosões cadentes de sentidos, inalo o perfume teu
Danço ao sabor enclausurado da memória...

Em vertiginosas sensações entrelaço-te no corpo e na alma
Aperto-te no peito contra os espinhos cravados!
Morro aqui, cinzas de um fogo ardente, perdidas ao vento
Tinta pintada pelos meus dedos (des)crentes
Poema esquecido no meu infinito ser!

2 de agosto de 2011

FUGIR!

Quando o passado nos atropela de forma alucinada, faltando o ar, que apressadamente desce garganta abaixo, e provoca uma contracção involuntária no peito. Quando tudo o que queremos é parar, simplesmente parar... quando as lembranças do que fomos, da simplicidade que nos envolve a alma se solta e nos envolve de nostalgia, e nos faz lembrar o quanto já demos de nós ao universo, e o quando ainda iremos dar. Quando queremos reter o mundo nas mãos. Quando achamos que conseguimos engolir o sistema planetário de um só trago e devolver a paz às entranhas crucificadas pela tortuosa caminhada. Quando tudo o que queremos é do tamanho inexorável de um bago de arroz, e chegamos à conclusão que os sentimentos pequeninos não têm a importância que lhe atribuímos. Quando tudo o que queremos se resumo a uma pluma largada no vento, suspensa no imaginário do nosso subconsciente. Quando dentro de uma mão cabe todo o nosso mundo, pequenino, mas cheio de tudo o que de mais precioso e frágil possuímos. Quando achamos que estando no chão, ainda nos podemos enterrar mais um pouco, ainda nos sobra forças para lutar contra o irreal, contra o nunca imaginado. Quando toda a dor cabe numa lágrima derramada silenciosamente no escuro. Quando tudo o que queremos, sentimos é... FUGIR!

Participação no tema de Agostoo

1 de agosto de 2011

Bailado de almas!

Impedes-me de tocar! Beijar! Sonhar!
Adormeço o pensamento, a mente
Que cega à dor do passado reclama por ti
Neste profundo son(h)o (ir)real, (in)tocável
Ignoro os gemidos sentidos…
Abro os braços à vida, e caminho na chuva, a tua
Derramada sobre mim, num silêncio surdo de palavras provocantes
Quebre-se o gelo! Como portas sagradas da alma!
Parta-se a vidraça opaca da insanidade!
Libertando o fogo incandescente do desejo dos corpos
Esse vício (im)puro do titânico viver do hoje, aqui e agora
Num arremesso (in)controlado de violência, despedaças
O mais forte muro em mil pedaços sem tempo nem espaço
E são teus olhos! Quais flechas flamejantes!
Que pousam indecentemente em meu corpo belo
Doce, frágil… (in)capaz de controlar a força
A tua, qual cavaleiro andante, do tempo místico de encantar
Na defesa da sua rainha, sua deusa (in)tocada
Libertas-me a chama, em labaredas ardentes!
Esqueces a pureza dourada das vestes sagradas, puras, virginais
E tornas-te no meu mais escondido amante da lúxuria!
Danças essas tuas mãos delicadamente, em movimentos precisos
Pelo refinado torneado do meu corpo enroscado no teu
Pulsante, ardendo no fogo da desordem, consumida pela tua boca
Rasgas definitivamente, esse véu púrpura que me tapa os olhos
E devoras todo o meu ser, sem resistência!
Bendita salvação da alma! A minha, perdida nesta estrada…
Solitária, gelada, quebrada pelos desejos insanos
Impuros, esquecidos, largados, perdidos no fundo de mim!

28 de julho de 2011

Caminho (im)perfeito!

Ai de mim!... Que caminho solitária…
Canção proferida em silêncio nos meus ouvidos
Bafejada em ardósia de xisto preto
Sensações da alma, doce tentação
Toco levemente essas tuas palavras
Mornas, cadentes, escorridas como fel
Viciadas em doces venenos
Onde nascem arrepios no corpo que me toca
Oh! Destino cruel! Sangue derramado pelas ruas da dor!
Na escuridão de uma noite estrelada
Na conjugação divinal dos sentidos
Sinfonia embalada nas profundezas do ser
Incessante luta do sagrado advir dos tempos
Talhados em papel da mais pura seda
Grito! Solto as asas resplandecentes…
Alvas, imaculadas de um Anjo
Um dia perdidas por entre os pecados profanos
Abandonados na boca rosada, seca, sedenta…
De um simples toque, leve, sublime, perfeito!
Oh! Candura exultada no Olimpo
Fio de prata sem nome…
Resgatada do passado, onde te carrego no colo
Toco-te com minhas mãos (in)decentes
Percorrendo trilhos desconhecidos
Imortalizados nos sentires escarlates da alma
Sou violino afinado nos teus ouvidos
Melodia de encanto, que te seduz…
Com palavras, sons, sensações…
Que te percorrem o espectro em ondas de espasmos
Qual sereia inocente! De voz aguda e límpida
Que te arrebata numa dança enfeitiçada
Um bailado derradeiro, num enlace perfeito!

22 de julho de 2011

Leve toque do meu corpo...

Oh! Toque irreal da minha imaginação!
Rasgo a roupa da tua pele, macia, doce…
E entrego-me  num abandono puro de sedução
Tacteando vagarosamente os dedos em cada curva tua
Desbravo caminhos, como uma onda do mar
Que se verte no teu corpo, um beijar de praia salgada…
Leve, tímido, delicado…
Toca-me! Embala-me! Nesse mar agonizado!
Com leves pinceladas de luz da tua alma na minha
Uma fusão celestial de orvalhos nascentes
Nascida no inconsciente da vontade em delírio
Que se agiganta desse fogo propagado por cada poro suado
Dá-me a paz! Dá-me a morte!
Rompe o círculo sagrado, oculto pelo derramar dos dias
Nesta criação infame da seiva que me consome as entranhas
Impregnadas de pecados capitais, cometidos...
Em loucos e intensos devaneios
Sou em ti… a rebentação constante, incessante, inconstante
A respiração ofegante pela ânsia de mais almejar
Alucinada pelo olhar que se evade para além do espírito
És–me a mão que me acaricia o peito desnudo
A boca que navega na minha pele
Num bailado místico dos sentidos, e abandono-me a ti…
Doce prazer escondido, proibido pelo desejo
Que os teus olhos sentem ao deleitar-se nas curvas do meu céu
Oh! Sublime expiação! Súplica intolerável!
Mergulho nas profundezas dessa torrente sôfrega
De olhos vendados pela volúpia cristalina,
Embriagada pelo perfume das rosas selvagens que exala dos corpos
Numa união perfeita de auras angelicais

Sou em ti… o leve toque do meu corpo!

19 de julho de 2011

Um pedido apenas!

Cantai, cantai, as harpas no universo imenso
Oh! Chama de um Deus perdido
Luz do meu olhar, fervor da minha carne
Dai-me a mão, num toque celestial
Como estrelas aladas da noite
Neste frio que o vento traz de volta
Embala-me a alma, numa sinfonia hipnotizante
Deixa tocar sem parar…
E faz-me juras de amor eterno!
Tocai, tocai, os sinos do meu coração
Oh! Beleza singela de um Anjo
Que de rosas me cobres, como vestes de veludo
Cor de púrpura, cor da paixão
Aquela que vagueia livremente pelas estradas solitárias
Das entranhas que me fazem tremer
Vestidas de grinaldas dos roseirais selvagens
Fecha os olhos e mergulha no sagrado perfume
Do meu corpo, escravo do pecado
Deste desejo voraz de apenas te tocar
Dançai, dançai, a valsa da meia-noite
Oh! Ave selvagem, de rugido felino
Leva-me a voar nas asas das tuas carícias
No calor que me enternece os seios
Dos abraços infindos que os teus olhos me enlaçam
Na pureza virginal de uma lágrima por derramar
Canta-me pela madrugada… palavras
De estremecer, da luxúria encerrada em teus lábios
De voz trémula, a sussurrar baixinho
- Dá-me apenas um beijo!

13 de julho de 2011

Perdida no teu aroma...

Moldo-te… desenho-te!
Deixo-me cair no abismo de mim...
Entre as paredes da minha oblacção
Entre os espaços esguios das minhas mãos errantes,
Que bailam ao sabor dos teus beijos… mortais,
Indeléveis, fatais, em tons de carmim
Que caiem como fragmentos suspensos do passado
Rodeias-me de palavras inocentes, num círculo vicioso, atónito
De conjugações profanas, num tormento sem (ar)rasto
Presa entre as correntes dos devaneios infligidos pela ternura
Dos sacrilégios invulgares provocados no sagrado altar
Do teu corpo, onde os meus dedos cometem pecados
Como fantasmas ancorando num porto sem destino,
De um qualquer universo perdido no ar que respiro (s)em ti!
Transfiguro a matéria viva do meu ser
Esse vulto (im)perfeito, incrustado no meu pensamento
Na luz dos teus olhos, brilhantes, iluminados
Desvirtuando a realidade perfeita onde te vestes de mim
O sangue fervilha-me na carne quente, sedenta, lasciva
Dessa maldição enviada pelos Titãs do Olimpo
Tornas-te na bebida mais doce, o mel onde me besunto
Doce tentação, louvor da minha alma
(im)pura, que se (re)veste de segredos e fantasias
Adocicadas pela impiedosa inocência
Desta queda (in)certa dos prazeres oferecidos
Adormeço em ti!

8 de julho de 2011

Apenas e só... um lamento!

Ai lamento! No rasgo das minhas mãos trago a angústia, as feridas, a palidez de ser... girando em redemoinho, contra ventos tempestuosos e agruras sem fim, por mares, ribeiros e rios ainda não atravessados, e em pés descalços me banho nesse leito de silêncio. Semeio palavras, mimos, sorrisos... um sem fim de doces lamentos, numa terra infértil, onde caminho acompanhada apenas com a minha presença. Atravesso desertos, montanhas, picos e vales e é sempre a neve mais dura se que derrete no fundo da alma. Fujo sempre, fujo de mim... não importa! Apenas se fecha o pano no final do desenlace fatal, no derradeiro minuto contra todas as vontades, os vícios, os defeitos, que se levantam em prol duma inocência corrompida pela tortura de um amanhã ainda não vivido, de um passado já ido, amarrotado pelas horas mortas do dia. E são horas, as contas que me passam pelos olhos cegos pelo cansaço de tanto ver! Serei eu, ou só uma mortal caminhante na estrada ingrata e árdua da vida?!... Vivo na ausência dos sons que outrora povoaram a minha vontade, vivo por entre os dedos da razão que se fecha e se cala, vivo neste véu inocente de fantasia estonteante, vivo no fervor do sangue que me escorre por dentro, toco-me a alma gritante pela dor lancinante da escuridão... Sou um tudo feito de nada, das paredes apertadas nas entranhas do peito, habitante dos fantasmas da outra era, fruto dos batimentos cardíacos de um coração impuro que parou no tempo! Agora que as sílabas parecem fugir-me, que as letras se repartem por outras palavras, formam outros parágrafos, outros sentidos (res) e dão as mãos longe de mim, abraço-me a mim... Abro as mãos, e já não tenho nada! Ai lamento!...

6 de julho de 2011

Segredos... ruídos da alma!

Oh! Indolência divina! Qual sonho de perdição!
Prostro-me diante da tua beleza
Infame, de vestes encarnadas
Exultai o corpo, cansado, exausto, perdido
De pisar as chamas do pecado
Temeria tua mão…
Se não fosse eu tão casta e virginal
Arrancando ao corpo, os desejos insanos
Das promessas (in)cumpridas
Que ardem nas labaredas do inferno
Qual Anjo incauto! De beleza tamanha!
De alma mais pura que a água
Em que me banho…
São meus dedos o sangue que percorre
Essa seiva que te lateja no corpo
Que bebo sofregamente do cálice da vida!
Enganas-me com esses olhos!
Negros como a noite, onde os sonhos vão (re)pousar.
Doce perdição, qual pecado sorvido
Nas entranhas devoradas pelo prazer…
Ai! Como estremeço ao ouvir a tua voz…
Qual melodia de Arcanjo!
Que me suga e esfolha o ser, pétala por pétala
Rasgando o véu da inocência lasciva
Num múrmurio lânguido de (des)amor
Desenhado no vermelho dos lábios
Suplicando ansiosamente por um beijo meu
No aconchego da minha mão entre as tuas...
Abres-me as pernas, como pórticos do Éden
e serves-te do repasto divino!
Mata-me! Nesse recanto escondido…
Onde foges para chorar a tua dor
Vinde! Que te sonhei outrora!
Por entre lamentos e gemidos
Nesse medo voraz que se alimenta de segredos!


Participação no tema de Julho

30 de junho de 2011

Dá-me apenas a mão!

Silenciosa e lentamente...
Deixa que o vento sopre... provindo das profundezas do ser
onde as searas me cheiram ao sabor dos teus beijos
de uma memória esquecida, inventada…
Toca-me levemente…como o desabrochar de um botão de rosa!
Pousa apenas a tua mão na minha, fecha os olhos...
e deixa-me conduzir-te pelos silêncios do nosso olhar!
Segura-me pela cintura... numa conquista silenciosa
onde sinto o toque de um abraço… leve, solto, apertado…
justo entre o espaço que cabe dentro das minhas mãos!
Desliza comigo nas sombras da fantasia… onde habitam
apenas os gemidos e os suspiros de uma alma sem fôlego!
Deixa que os corpos cantem... a música do nosso amar!
Num tom baixinho… sussurrando… flores, borboletas, beijos
em palavras não faladas, despe delicadamente
o manto estrelado do coração, e mostra-me as cores,
os sabores e os odores com que o visto!
Teu rosto colado ao meu... à fina distância de um roçar de lábios,
teus braços envolvendo minhas curvas, num entrelaçar intenso
de pernas ... onde se rodopia ao sabor do vento….
onde os sons dos pássaros assobiam no tom da tua voz!
Onde fico presa como uma bola de sabão
entre os lábios dos teus sonhos… na planície da tua alma,
percorro veredas verdejantes com a ponta dos meus dedos
entre vales e montes de uma terra ainda por descobrir…
Dança comigo!… Cada passo, riscado, traçado incerto
que o teu olhar meigo desenha nas minhas curvas
nos segundos sorvidos pelo tempo, onde fecho os olhos
e me abandono a ti… sente… sinto… sente-me…

24 de junho de 2011

Minhas mãos vazias...

Carrego nas mãos vazias…
O fel dos segredos ocultos da noite da (des)esperança
Acalentando a suave linha da maldição
Teu olhar incerto… me incita a continuar a busca
No breu da noite, os suspiros da melancolia
Despertam o coração adormecido, sufocado pelo veneno
Dos limites da vida, no desespero de um grito
Dos vícios ociosos empedernidos nas curvas da existência
Tua boca cala os sussurros que outrora gritava ao vento
E deambula pelas ruas da tristeza como um moribundo
Farejando a carne fresco… profanando a alma celestial
Essa… que vagueia pelo longínquo espaço da memória
Onde as palavras não têm mais retorno
Nem têm mais eco na luxúria sentida pelos amantes
E meus olhos choram… lágrimas de dor
São as vozes do desespero, da angústia perdida
No tempo em que a morte passeava sem capuz
Como um anónimo sem rosto, e sem nome
O triunfo do vazio alado, cavalgando pelas sombras
Pelos caminhos tortuosos da obscuridade (ir)real
Pelos sepulcros da noite…
Um lunático invade os lamúrios do desejo insano de te possuir
Numa figura lasciva de se libertar, e no final…
Permanecem os restos dos que já foram sem deixar rasto
Dos que ainda tinham algo para dar ao mundo
E ficam as marcas dos que tudo deram, deixando o vazio…
Que carrego nas mãos vazias…

21 de junho de 2011

No balanço das horas...

De mãos dadas contigo (comigo)
Asas do meu pesar, sentir do meu desgosto
Poesia dos meus dedos, que nasce da nascente dos meus olhos
Corre comigo, de olhos vendados, no meio da escuridão
Sem pensar, sem questionar…
Entrega-te às mãos que te aquecem, que te resguardam do frio
Renascendo neste corpo cansado das quedas inevitáveis do tempo
Das nuvens que se fecham dia após dia
Que balaçam no inverno da tua caminhada
Esvai-se o tempo por entre os dedos, como areia viva
Nesta água com que te baptizo novamente
Solta-te das correntes amargas das sombras
E extingue a dor, o sofrimento, o vazio...
Dessas mãos que para ti se estendem
Deixa que a vida te lamba as feridas
Feche as cicatrizes, encerre os sonhos irreias
E te acalme o fervilhar do pensamento
Faz correr o sangue que te aquece a alma
Das cinzas do que fui e já não sou
Corre por entre espinhos da memória
Arvoredos rochosos da existência que te ferem
E trespassa de vez essas paredes apertadas da alma
Da clausura das (des)ilusões…
Sente-me apenas… no bater descompassado do coração
E caminha apenas a meu lado
No leve toque da translúcida mortalidade

17 de junho de 2011

Desejo!

Uma noite estrelada
Uma lua redonda
Um silêncio parado no escuro
Um corpo torneado pelos deuses move-se
Nas sombras, lenta e languidamente
Ao som da musica de um olhar penetrante…
Onde os acordes sonoros apenas são audíveis
Num enlace perfeito pelas almas em uníssono
Uma mão que serpenteia cada curva macia
Um arrepio desce espinha abaixo
A roupa largada no chão
Bem devagar… demoradamente...
Um suspiro solto no ar
Um movimento mais de sedução
Numa dança, ao mesmo tempo, delicada e atrevida
Onde a pele se encosta suavemente e se afasta de seguida
Um convite a um beijo
Entre lábios molhados e húmidos
Onde o desejo se masturba em encantos de ternura
No ondular de sensações que invadem a mente
Descontrolada, em excitação
Um despir devagarinho em mimos e carícias
Um subir de temperatura
Um acelerar do coração
Uma boca sedenta
Um cruzar de pernas, num encaixe de coxas
De querer mais, desejar mais…
Um gemido no escuro, um eco pelo universo
Uma respiração ofegante
Onde uma boca cala os gritos da outra
No êxtase final!...

12 de junho de 2011

Um silêncio parado no tempo...

No meio do nada, sento-me no escuro…
O sol já fechou os olhos, e se foi…
Esvaindo-se em minutos prolongados, pelo esquecer das horas
Ao longe o uivo do lobo ecoa no horizonte
Acorda a noite lentamente…
Um manto estrelado vai cobrindo de negro a noite
sob a luz de uma lua brilhante bem lá no alto
Sinto nas minhas mãos o gosto da terra que me pertence
e o leve abraço dos sons que me circundam
Um olhar se eleva aos céus, num pedido aos deuses e aos anjos
um leve  piscar de olhos, uma lágrima se solta…
silenciosa pelos restos mortais... das folhas secas que voam ao vento
E o silêncio invade… a floresta adormecida que me rodeia
e no sussurrar do vento apenas os grilos cantam
na profundidade da noite...
E a terra, senhora de mim, murmura uma canção de embalar
em acordes delicados e cintilantes espalhados pelo luar
Fecho os olhos… Solto o espírito livre ao vento!
Que voa em liberdade…
Rodopiando em piruetas que ora sobe uma escalada
rasante ao meu corpo inerte, ora desce à imensidão do universo!
Trilhando em passos perfeitos, um voo ondulante…
pelas copas das árvores, sentindo o doce perfume
do respirar do bosque e da brisa nocturna que me beija o rosto
E danço, embalo, evado-me (e)ternamente…
de asas abertas no sonho, no éter dos meus sentidos
no sorriso aberto da noite, na terra de encantar!

10 de junho de 2011

Republicando!

 
 À flor da pele!


“És tu… eu sei!”

De olhos vendados
Viajo no escuro
Na penumbra das sensações
Nas palavras por dizer
Nos intervalos do silêncio
Nas fantasias geradas
No conhecimento das almas
Nas apalpadelas geradas
Pelas sensações à flor da pele
Cega…
Sem rostos ver
Sentindo com as mãos
Ouvindo os sons do silêncio
Dançando com o corpo
Eclodindo num transe sem químicos
Numa liberdade sem limites
Deixo-me ir!…

Esta imagem foi retirada daqui com a devida autorização da dona


De coração endurecido
me encontrava olhando o horizonte
as marcas do passado…
escondida, brincava com palavras, frases
desejos e sonhos…
entre vidas cruzadas no espelho da imaginação
num anseio de um dia te encontrar!
Fecho os olhos por instantes…
e em lapsos de tempo
sinto os suspiros da tua voz
quente e doce
num discurso de sedução arrepiante!
Nas incertezas do futuro
sonho unir a tua alma à minha
e transformar o presente
numa tentação irresistível de prazer
e deixar o vento soprar… baixinho…
em tom de segredo a mais bela canção,
tocada pela areia fina da fantasia
de estar em teus braços
sentir o calor do teu corpo
num sussurro de paixão
simplesmente dar-te a mão!


Hoje deixo aqui dois poemas que já foram feitos há algum tempo e oferecidos a duas pessoas muito especiais para mim, mas devido a estarem num espaço fechado por mim, volto a publica-los de novo aqui para todos, valorizando as devidas fontes de inspiração (link está no título de cada poema), com as fotos também das postagens originais

7 de junho de 2011

Tudo são rosas...

Enroscada na corda retorcida do destino
estendo silêncios na palma das mãos
Abraço-te (me) e rendo-me de joelhos aos teus pés
São flores que carrego na alma!
Onde um rio corre sereno e calmo, em busca de mim
danço ao sabor do prazer do sonho,
tacteado nas rosas do vazio e da solidão
Abraça o olhar que te persegue! Dá-lhe a mão!
Segura forte! Sem medo!...
Segue um novo trilho rumo à eternidade, e bebe
o sangue da vida de uma só golfada, como um derradeiro grito
rasgado no ar!
Saboreia cada trago lentamente, demoradamente…
como uma fruta colhida no pomar mais fértil, e afasta em delírio
essa mão que te (me) esmaga, em silêncios…
profundos de sons por inventar nessa pauta encadeada de espinhos
Solta a corrente! Que te prende a alma ao chão, e levita
na mais bela e doce melodia, em tons de cor de céu
Corre!... Salta!... Pula!...
E não mais pares…
a não ser no mais profundo do meu coração!
Espeta a dor mais funda com a espada da salvação
e desfaz sem piedade as sombras que te (me) inquietam
Renasce na fénix pintada pelo beijo meu
dado na boca mais doce de um olhar demorado
que te trespassa a alma, sem medo, sem pudor…
Diluindo todos os segredos narrados pelo destino
numa espiral de emoções
soltando a inocência que habita nas profundezas do ser!

4 de junho de 2011

Flashback!

 Pausadamente... passeando os dedos pela memória
Como quem saboreia uma fruta suculenta
Onde os minutos, as horas e os dias permanecem imortais
Onde a alegria é estática e eternizada, e aflora num sorriso
Onde os dedos se entraçam nas imagens da alma
Com as linhas do destino já percorrido…
Vagarosamente…
Lentamente…
Num flashback em câmara lenta…
Perdendo-se no rabiscado das sombras
Dos momentos vividos, sonhados, sentidos…
Como um bálsamo perdido no tempo, num reviver de emoções
Que o passado já trancou no espaço dos sonhos
E numa dança irreal o espírito se eleva noutra dimensão
E volta a ser, a sentir… cada gosto, cada desejo, cada sensação
Experimentados pela primeira vez, como um renascer continuo…
Que cresce e se agiganta…
Em cada estremecer, em cada olhar trocado,
Em cada toque sentido… numa sintonia precisa, perfeita
Num encaixe milímetro a milímetro em cada curva que se encontra
Onde o olhar toca na alma num simples gesto
Cruzando-se perfumes idílicos, misturando-se em cores e sabores
Num gemido profundo…
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...