27 de maio de 2011

Bailado de letras...

Há dias cheios de coisas!...
Há dias cheios de sentimentos, sensações, ideias, opiniões, palavras que me vagueiam na mente… vagarosamente como uma névoa que se instala devagarinho. Há dias vazios de tudo, e cheios de nada, cheios de sabores e odores, cores e afins. Há dias que as palavras me sobram nas mãos, e não tenho onde as colocar. Há dias. Há dias que não são como os outros, com luz e escuridão. Há dias cheios de razões, cheios de casos, cheios e vazios. Há dias que as palavras mascaram a realidade, omitem mentiras, enchem-se de medos e me fogem pela boca. Há dias. Há dias do tudo e do nada. Há dias cheios de pressa, mas afinal custam a passar. Há dias sem coragem e dias de força. Há dias que as palavras me dão um descanso, têm medo de me olhar nos olhos, outros há em que pausadamente me bailam no corpo como um desejo carnal de me devorarem. Há dias em que as letras não se encaixam em lado nenhum, deixam-se ficar amorfas e sem sentido juntinhas à alma. Há dias. Há dias que elas, as palavras, se revoltam e me explodem por todos os poros, de todas as formas e feitios. Há dias em que me enrolam, e me ferem como espinhos, colam-se ao céu da boca de forma pegajosa.
Há dias assim…

22 de maio de 2011

No vazio das minhas mãos...

Quando a noite se cobre de estrelas, e a luz da lua me ilumina o olhar, sobram pedaços de nuvens nas constelações da memória onde bailo contigo de mão dada. Onde o espaço dos teus dedos se entrelaça entre os meus numa dança sensual e dourada pela estrada solitária do coração, residente da alma, que flutua nos raios dum sol nascente nas profundezas do ser. E nos movimentos leves dum som não proclamado, prendo-me nas salgadas saudades de te tocar, do perfume que perdura colado na minha pele alva, do desejo deixado na minha boca. E num suspiro lançado ao vento, revivo nas asas do sonho, duma história inventada por viver, onde o tempo já não tem presa de chegar, onde pára para me acolher, onde me abraça e me envolve num doce desejo, onde as sombras se escondem, as palavras fazem sempre sentido, onde danço com as mãos vazias e plenas de mim, onde as emoções mais fortes são senhoras da vida, rainhas do universo e a nefasta melancolia dos dias, a paranóia de ser e ir mais além não têm mais razão de ser nesta existência, onde tudo é perfeito, e nada mais há a acrescentar…

18 de maio de 2011

No silêncio...

…volto a ser pássaro!
Corro velozmente ao teu encontro
Contra ventos e tempestades
E de repente…
Fico inerte, e paro à distância de um toque
Obscuro das palavras mudas
Salto vírgulas, encadeio-me nos parágrafos alinhados
Enrolo-me nas sensações que me deixam na boca
Apalpo cada contorno das letras que me compõem
Corro de novo, e de novo paro!
E fico-me pela admiração do enlace, entrelaçado
Nos desejos, nas carícias, nos olhares
Que as palavras me lançam pelo esgueirar
Dos livros, dos romances, dos contos e poemas
Com que me visto nas noites frias de verão!

… volto a ser estrela!
Constelações brilhantes riscados no infinito
Luz da vida, que atraiçoa a morte
Ultrapasso-te em vielas escuras do pensamento
Traço novas rotas dos cometas que os meus dedos
Vão desenhando com a tinta das memórias
Transformo os meus pés nas asas do vento
E liberto-me das correntes que me amarram o pensamento
Não! Não quero palavras em forma de promessas
Antes actos renovados que me tocam
Como abraços, apertos de mão e beijos
Com gosto intenso de paixão, luxúria e desvairo
Esmagados em sílabas sonhadas entre pontos e vírgulas
Entre o hoje, o ontem e o amanhã!

… volto a ser árvore!
Cresço, floresço e dou frutos
Semeados nas folhas brancas da vida
Faço sombra às nuvens da minha alma
Volto a fugir para dentro do peito
Para o calor do aconchego das ondas do mar
Nasço e renasço à velocidade das primaveras
Na esperança, na força e na vontade
De nunca morrer… porque sou eterna e imortal!
Brinco com as pétalas das rosas do campo
E toco levemente nas asas das borboletas
Refaço-me nas linhas traçadas pela luz do sol
Num bailado de sons com a lua e as estrelas
Onde os ramos das árvores não conseguem chegar
E voo lá no alto como uma estrela cintilante
Engano a liberdade…
…e volto de novo a ser pássaro!

16 de maio de 2011

Preocupação de mãe!

Qualquer mãe deseja sempre o melhor para os seus filhos, pelo menos o suposto é que assim seja, mas existem situações na vida que ultrapassam qualquer entendimento, qualquer vislumbre de razoabilidade racional quando entre um casal as discussões assumem proporções para além do concebível, para além do que um dia se imaginou viver. E pensa-se: valerá a pena? Será justo que qualquer adulto que tenha dois dedos de testa faça com que uma criança inocente passe pelo tormento quando um casal vai transformando num inferno o seu dia-a-dia? É normal e saudável que por força do egoísmo dos adultos uma criança tenha de assitir a uma guerra inglória?... Estas e tantas outras perguntas ficam sem resposta quando ao invés de um sorriso nos lábios e um brilho no olhar de tenra idade se vislumbra um olhar vago, uma lágrima caída de quem se sente rejeitado pela própria vida, como se não pertencesse a lugar nenhum. É legítimo uma mãe querer colocar a mão por baixo de todas as quedas que os seus filhos poderão vir a dar, mas não será legítimo colocar uma poça de lama para eles se enfiarem lá dentro. É legítimo que qualquer mãe desejando o melhor, esteja sempre lá com a mão estendida, e um colo que não tem tamanho, mas não é legítimo por força do egoísmo ignorar o sofrimento que infligimos aos nossos filhos de cada vez que um dos elementos agride o outro verbalmente, tentando tirar vantagem na frente de uma criança. É revoltante ver todas as situações que as crianças têm de assistir, por via de um casamento que termina mal, onde a razão deixa de imperar, onde nem os bons sentimentos já existem, e os adultos se esquecem de ser adultos,  passando de forma egoísta por cima dos sentimentos e desejos das crianças. O indicador dos divórcios é cada vez maior, estará talvez na altura de pensarmos duas vezes antes de colocarmos no mundo outros seres humanos para os fazer passar por este tipo de situações, e indo mais longe, será talvez melhor pensarmos e olharmos verdadeiramente para o que desejamos, para o que se pretende de um casamento, sem ilusões, sem máscaras, sendo verdadeiros, porque amor não acaba, o que acaba são outros sentimentos aos quais muitas vezes lhes damos esse nome, e que com o tempo se vão desvanecendo. Porque é verdadeiramente revoltante que no final de tanto sofrimento ainda se abandonem as crianças num orfanato como se elas não valessem, nem fossem nada… como se não fossem de ninguém, tornando-as orfãos de segurança emocional. Como se não tivessem sido carregadas durante nove meses no ventre de um ser humano!...

Participação no tema de Maio

11 de maio de 2011

Sem medo!

Ausência de medo, (in)controle de emoções
Visto-me de plumas de cetim,
Desbravo a seara do meu corpo com o teu cheiro
Tacteando mansamente cada pedaço de éden
Construindo pontes, saltando vedações
Percorro cada palmo da alma
Desnudando-a lentamente
Como quem despe um corpo quente
Cheio de si…
Perdendo-se na imensidão dos sentidos!
E na cadência da luz do sol, resgatado pela lua
Solto sorrisos pelos olhos, que te olham
E vislumbram nas sombras da memória
Presas por um fio de ardor, desejo e possessão!
Sou livre! Solto as amarras do silêncio!
Ah! Solto um grito lá do fundo
E imagino-me (te) dentro do meu peito
Sugando cada gota do suor rasgado
Nos céus da felicidade
Como um sussurro surdo ecoando… ao longe!
E com a força dum trovão!
Estremeço as mãos que me acariciam
Na liberdade de te (me) desejar
Levitando na doce sensação de florir
Em cada gesto de ternura, em cada palavra falada
Em cada abraço encontrado entre os teus braços
Em cada desejo escondido nos segredos
Da tua voz… deixando-se o corpo cair
Esgotado de tanto amor e prazer!
E na (in)finitude da razão
Esbarra-se o encadeado das tuas mãos nos meus lábios
Misturando o som, o cheiro e o gosto…
De te (me) amar em cada curva delineada
Pelas dobras da eternidade, quiçá do destino
Sem pressa, sem culpa, sem medo!...

26 de abril de 2011

Ao sabor do vento...


Dançando com o vento… sentindo a brisa morna do verão
Ouço em harmonia a voz dos animais selvagens,
Saltando de pedra em pedra, correndo pelos prados verdejantes
Olho as folhas secas que me passeiam por entre os dedos
fazendo cocegas no meus rosto...
...e na boca fica o trago de algodão doce
Abraço a lua, e penduro-me na magia de voar
Em espiral nas nuvens do espírito da natureza… abro os braços…
E ando de mãos dadas com as nuvens…
...amarradas em fitas de ar e cetim.
Deixo-me arrastar por esta melodia silenciosa…
Que o vento sussurra nos meus ouvidos, bem juntinho ao coração
Flutuando nas palavras...
...que me envolvem num abraço apertado e profundo…
Deste sentimento que cresce lá no fundo... e me enche por dentro.
Persigo-te no escuro… e de olhos fechados… reconheço-te
No som do riacho, no uivar dos lobos, no chilrear do pássaros
E nas pegadas da alma... 
...que estranhamente me nascem no sorriso do olhar
E embalo mais uma vez… de brilho nos lábios…
No desejo de voltar a navegar nos teus braços, e ficar lá para sempre…
Escuta… ouve a voz do eco do que sinto…
E deixa-te dormir nos sonhos que se entrelaçam na noite estrelada!

19 de abril de 2011

Num tom baixinho...



Nas asas do vento…
Ondula a noite, com pezinhos de lã
Sem rumo, sem direcção…mas sempre certa.
Shiuuu…
Num rasto perfumado e doce…
flutua nos suspiros do luar iluminado
nos raios duma lua cheia sorridente
e na magia das sombras…
vem tocar na pontinha dos meus dedos!

Nas asas do vento…
Segredam-se baixinho canções de ninar
Fecham-se os olhos da inocência
e abrem-se as portas à imaginação…
Shiuuu…
Troco palavras com a lua e beijo as estrelas…
lá longe… onde só os sonhos moram,
onde só a alma… consegue chegar!

Nas asas do vento…
Sopram sons do outro mundo…
do reino encantado dos contos de outrora…
Onde as princesas têm cabelos dourados,
Vestidos de cetim e tranças compridas…
para serem resgatadas pelos seus cavaleiros andantes.
Onde as histórias que se ouvem…
Terminam sempre em finais felizes!...
Shiuuu…


Faça-se silêncio… shiuuu… a noite já dorme!

13 de abril de 2011

Silêncio partilhado...

A noite estava calma... as estrelas brilhavam lá no alto sob a luz da lua, as ondas do mar calmamente beijavam as pedras que penetravam mar dentro… e no luar dois seres de mãos dadas caminhavam lenta e docemente pela noite… . subiram ao local mais alto e sentados no colo um do outro olharam o horizonte... ao longe as luzes das ruas brilhavam tanto que pareciam um presépio encantado e o olhar perdia-se nas várias praias em seu redor... em poucas palavras a voz suave dele descrevia cada um dos locais que se avistavam ao longe… e por momentos... cessaram as palavras e o silêncio imperou, apenas se sentia a respiração ritmada de dois corações em paz, que tranquilamente se deixavam ali sentados, de olhos fechados, abraçados docemente na brisa do mar sob o manto das estrelas. E por vários minutos se deixaram ali... apenas ouvindo a voz do universo em sussurros de magia. De rostos colados lentamente se olharam e seus lábios se uniram num profundo e prolongado beijo em silêncio...

7 de abril de 2011

Meu reino encantado!

Trago nas mãos o calor do verão, nos olhos os pingos de chuva de inverno, e no corpo... no corpo deambula um estádio intermédio e suspenso entre a primavera e o outono. Sinto na ponta dos dedos a comichão da razão que se perde quando os sonhos me invadem a lógica, e abandonam o chão para alcançar o céu estrelado da minha fantasia. Percorro alas sem fim, veredas de outrora, e deixo-me mornamente ficar ancorada nas paredes do esquecimento. Caminho, e paro, e volto a caminhar pelas estradas do passado, tentando resgatar cada cor perdida na caixa arrumada das minhas memórias, pinto e repinto cada árvore do meu jardim de azul, canela e carmim, em cheiros perfumados de violeta e jasmim, dourados de laranja e púrpura... e assim, se vai colorindo o céu do meu palácio mágico. Perdem-se amarguras, tristezas e dores, e reina a paz, o silêncio alegre do canto dos pássaros, ao longe o assobio do vento murmura uma balada encantada ao som do eco da melodia do bater do meu coração, num dueto uníssono com a alma. Choram as fontes alegrias pintadas em cascatas de água transparente, ouvem-se os silêncios murmurosos das vozes caladas das pedras da calçada, nas imagens que me entram pelas janelas da alma dentro, como um caleidoscópio de cores e sabores nunca provados, e até então quase inalcançáveis. Dançam-me nos olhos as cores do arco-íris que me envolve num abraço caloroso, que me faz explodir o ser em encantos infindos, da vida que me jorra nas palmas das mãos, onde o machado de tinta preta vai talhando leve e minuciosamente as linhas incertas do meu futuro.

2 de abril de 2011

Momentos...

Um gemido...

Um balão a pairar
num passeio de jardim
um encontro ao luar
com cheiro de jasmim!
Uma rosa oferecida
por um sorriso invadido
numa ponte estabelecida
de um vazio preenchido!
Um encanto encontrado
num sussurro escondido
num abraço apertado
por um toque atrevido!
Uma palavra silenciada
de um sonho entrelaçado
uma memória partilhada
num silêncio murmurado!
No escuro um segredo
de um olhar molhado
uma dança sem medo
num beijo demorado!
Uma alma nua
um corpo despido
minha boca na tua
num orgasmo sentido!

...num momento de ternura!


Participação no tema de Abril

30 de março de 2011

Ai de mim! Infinitas cores!

Ai de mim! Beleza infinita!
No alvor dos dias, ao cair da tarde
No amanhecer da noite, e na luz do luar
Saltos no tempo, segredos calados
Plantas sementes de amor puro, virginal
Que invadem as ruas, nas vozes em silêncio
Nas lágrimas que brotam das nascentes
Que cantam um murmurar de paixão
Embalando as sombras da lua!

Ai de mim! Candura indecente!
Não te enganes! Foge de mim!
Sou o frio, o gelo… e a água que derrete
Depois… ternura feita gente!
Corre! Apanha-me numa curva!
Ao subir do monte, na descida mais íngreme
E toma de um trago, sem sentires o gosto
A seiva que me jorra nas veias
E me contamina o bater do coração!

Ai de mim! Inocência desflorada!
Perdida na face rosada das flores
Folhas queimadas, flores nascentes
Galhos enrolados ao tronco da vida
Enroscados na tua alma mansa e pura…
Trago em mim, o sabor dos teus beijos
No corpo, o delicado prazer da luxúria
E nas mãos… nas mãos
A quietude do formão que me talha os dias
Minuciosamente, implantando a paz!

Ai de mim! Pureza divinal!
Passarinhos voam, e cantam…
Sopram levemente uma brisa de promessas sem fim
Quão vulcão adormecido, donzela impura
Abres as mãos vazias e esmagas-me o peito
Fecho os olhos… e evado-me nas asas vento
Num abraço, num afago lânguido
Trazes nos lábios um beijo envenenado
Dou-te a mão e peço-te: solta-me do destino!

26 de março de 2011

Escuto-me!


Perdemos-nos de nós tantas vezes, mas se abrirmos os braços voltamos a abraçarmos-nos… basta baixarmos os ruídos de fundo, e escutamos no silêncio a voz que vem do coração, aquela que por mais que tenhamos vontade de fugir, nunca nos deixa sós, nunca nos abandona, e tantas vezes fala de sentimentos que recusamos ouvir, quiçá, sentir… vivemos momentos, sentimos-nos e sentimos os outros, escutamos os silêncios dos olhares que nos rodeiam, e pensamos sempre que são dirigidos a nós, puro engano, pura ilusão do nosso olhar, do nosso coração solitário, que por mais que queiramos, somos simples mortais, isolados, encerrando no corpo um mundo por explorar… desejamos tanto ser felizes que somos enganos pela carência, pela solidão, pela falta de (des) amor, tantas vezes enredados pela paixão, que nos cega os sentidos, respondendo ao apelo carnal… mas será que amamos verdadeiramente os outros, ou transportamos para os outros as virtudes que não temos e desejávamos ter? Será que sabemos mesmo o que é amar sem condição, sem esperar que o outro nos ame de igual forma e intensidade? Ou amamos porque alguém também nos diz amar, e sabe bem a companhia, e retribuímos as palavras, que muitas vezes, não são verdadeiramente acompanhadas dos sentimentos mais profundos!?... Amar gratuitamente, será que existe? Ou será apenas um mero sonho, inalcançável, longe do que palpavelmente tocamos no dia a dia?... Precisamos urgentemente de amar como só a pureza das crianças consegue, sem olhar para os defeitos, sem valorizar as virtudes, sem procurar nos outros peças que nos faltam a nós. Precisa o mundo de simplesmente amar, para se salvar!...

24 de março de 2011

Segredos... silêncios!

Vai-te de vez!
Fora da minha memória!
Faz-se silêncio!...
…
Fica no ar o perfume da ausência do teu tocar
que lentamente me cobre o corpo nu.
Respiro o odor do teu corpo no ar
canto suor, dor e paixão.
E deixo-me embriagar na memória do teu olhar
Lambo a ponta dos dedos
Sabem a rosas... com um rasto de luar…
Numa voz fraca: grito!...
Entorpeço-me nas linhas dum romance mal acabado
Tranco-me no silêncio...
e anseio pela ternura do toque do teu desejo,
enrolada nos sons do teu prazer, do teu pecado!
Num sorriso inocente que passeia nos meus lábios
cruza-se o impossível, o improvável
e apagam-se as luzes!
Apenas os teus olhos me iluminam
e num sussurro quente e tímido
a tua voz proclama:
- Não pares! Fica onde estás!...
Acende-me!... Enlouquece-me!
E num sem ruído prolongado...
selam-se bocas em segredos quase eróticos!
Cai o pano, e destapa-se a alma nua
Descobre-se a ardência da volúpia dos corpos,
E numa voz fina e aguçada, ouve-se:
- Vem!... Desvenda-me num beijo...
Que o tempo esgota-se no infinito.
E mostra-me...
...a terra desconhecida que me invade
...o quanto te amei antes de te encontrar!
O silêncio quebra-se e a luz revela o teu vazio!

20 de março de 2011

Dança solitária!

Bem aventurada a esperança!
Que me carrega nos braços por te amar infinitamente
de outras épocas, dos tempos da eternidade.
Neste embalo, de um consolo angustiante
estendo os braços ao céu, e solto um lamento no ar.
Ao longe… o eco devolve-me o retorno
provindo dos teus lábios, que volta para me abraçar
em palavras de cetim e silêncios de veludo…
tecidos em terras do irreal
e imaginados nos milénios da era de encantar!
Perdida entre as estrelas cadentes
rogo à lua, ao sol e ao mundo
que me devolvam o teu rosto
me devolvam ao passado, à vida!
Qual razão de viver?!...
Encarcerada nas grades do tempo
na prisão da tua imagem que permanece em mim.
Abençoada a alegria e a paz!
Que povoam a minha face de sorrisos infindos
colhidos no teu jardim.
Atravessei os oceanos, rasguei tempestades
e enfrentei dragões de fogo, nas mais árduas batalhas
em busca do tempo perdido.
Mas em fúrias desmedidas me perdi
e em desejos me alcancei
só para te encontrar de novo dentro de mim.
Toco nas tuas palavras!
E peço à noite que me devolva os sonhos
que se encontram às escondidas dos corpos
cantando e dançando melodias sem fim
numa dança misteriosa de sentidos.
Em silêncio… baixinho!
Ouço-te de novo pulsar…
Chamo-te, clamo por ti!
Procuro-te por toda a parte
na ânsia de te sentir e amar mais um pouco…
nesta réstia de encanto divino!

17 de março de 2011

Sombras!

Neste dia de danças de sombras!
Fico-me…
Assim… deitada no chão frio e gelado
onde pisaste com teus pés de veludo
e adormeço a um canto da sala
em busca de ti no meu sonho!
Metade de mim clama o teu nome
a tua pele na minha
a língua dos teus desejos
que sem pudor atravessam o meu corpo!
E a outra metade…
afasta-te as mãos macias
que me provocam os arrepios
quase sempre sentidos em sussurros sem eco!
Larga-me…
…ou ama-me!
Em súplica te peço que rasgues
a maldição da vida, que está cravada no peito
e que me deixes chorar pelos dias
sombrios da existência que ficou à margem
dos meus sonhos!
Faz-te flor em mim,
neste semear balançado no vento
e verga-me aos teus desejos!
Assim, aqui e agora…
… neste segundo que me cega os olhos
mostra-me de que matéria efémera é feita
a palavra sagrada que guardas na alma
que me aquece em delírios de encantar
quando o meu corpo respira no teu
e a minha boca se alimenta de ti!

11 de março de 2011

Oh... doce salvação!

Oh… vida!
Esculturas rabiscadas nas sombras do sol
Dos ponteiros de um relógio parado
No tempo, e no espaço sideral
Nos segredos narrados nos teus lábios
Nas promessas malditas por cumprir
E lançados em suspiros da morte!
Oh… engano indecente!
Que lavras com tinta do meu coração
Este chão sem cor…
Num sopro de fantasia irreal
Busca em mim, em cada pedaço meu
A glória de outros caminhos mal traçados
Asfixiados entre os meus dedos
Quão espinhos de sangue
Na harmonia das palavras desditas pelos Deuses!
Oh… morte anunciada!
Quão longe vai a tua sorte
Lançada em sussurros nos meus ouvidos
Neste limbo da vida ensolarada
Pasma de acoites, cheia de vazios sem fim
Como náufragos em oceanos revoltos
Assolados pela má sorte, consumidos pela dor
Mergulho de olhos abertos num feitiço encantado
Da tua voz dócil entrelaçada na minha
Nas ondas que florescem no teu olhar!
Oh… cadência infinita!
Distante da minha afeição
Recua no tempo, e faz-me tua
Sem dor, sem pudor, sem perdição
Num bálsamo piedoso
Enxovalhado pelo perfume das rosas
Do toque das tuas mãos nas minhas
Na pureza das lágrimas invertidas
Esgotadas em versos desfeitos!
Oh… senhora do mundo!
Lançada na arena da vida
Guerreira de espada em punho
Corta-me ao meio, e entrega-me ao sonho
Nesta imortalidade de desdém
Que paira no ar… na neblina dos dias
Cumpra-se a profecia, acorda-me das sombras
E diz-me que nasci dentro do teu peito!

9 de março de 2011

Instantes!

Na calma da tarde desce o luar sereno
crescem alegrias nas estrelas
e o vento segue sorrateiro o seu caminho.
A noite penetra escuridão adentro
e lança nas árvores o seu manto escuro
cobrindo de doces sons, o frio que envolve o mar
num vai e vem constante…
E de mãos dadas…
no silêncio dois corpos se encontram
se misturam e dançam em cheiros de saudade,
num voo solto de liberdade
duas almas se reconhecem mais um pouco
e trilham um caminho desconhecido.
Tocam no sonho, tocam no impossível
na visão do passado projectado no futuro,
num instante sem retorno
sem volta ao principio, ao fim anunciado.
E seguem pelas pegadas da ternura,
num embrulhar de pura magia,
encaixando peças soltas do destino
onde o silêncio geme mais alto,
onde os sorrisos abundam no olhar profundo
e nos lábios renascem brilhos cintilantes
em palavras de paixão e desejo.
E a cada toque um fio de puro equilíbrio
onde a perfeição se funde e reina,
onde a solidão se rende por completo
abandonando a vegetação circundante
deixando apenas as carícias do olhar tímido da lua
estampado no negro da noite!

7 de março de 2011

Ao fundo!

Ao som do ruído morno do mar
Ao longe gaivotas passeiam no ar
No horizonte a neblina
Caminha na minha direcção
Suavemente envolve-me em seus braços
Beija-me a face e incendeia a alma
Deixa em mim um cheiro de maresia
Agarrado nas mãos vazias de cores
Quentes de notas musicais
De repente, numa espécie de salto no tempo
Uma réstia dos raios frios do sol
De inverno aquecem-me a pele
E no rendilhado da espuma
Deambula um corpo
Cansado da frieza dos tempos
Do retorno ao passado
Do romper dos traumas, dos dogmas
Agarrados na pele, presos na ponta dos lábios
Que já nada sabem cantar
E se encerram em melodias tristes
Em monólogos a duas vozes
No romper da aurora
Quebra-se o silêncio dos pensamentos
Solta-se um grito do fundo da alma
Que se entrega ao mar de braços abertos
Peito desnudo, olhar inquieto
Na derradeira onda de salvação

3 de março de 2011

Marcas para sempre!

Desta vez e porque o tema me inspira a algo mais sério, vou falar de violência, e esta veste tantas formas quantas a nossa imaginação pode alcançar, desde e violência praticada aos idosos em lugares chamados de “lares”, violações praticadas por mentes descontroladas, assédios laborais, violência contra as crianças, e como um dos exemplos mais marcantes da era moderna temos o bullying, e se pensarmos bem qualquer tipo de crime é uma violência à integridade humana, seja ela física ou psicológica. Mas optei por deixar apenas uma pequena nota sobre uma violência que andando de mãos dadas com outra passa tantas vezes despercebida e atinge de forma quase irreparável a suas vitimas. E estou a falar mais concretamente da violência doméstica, mas não a física, e palpável, que é facilmente provada em tribunal e em que as vitimas se podem livrar do agressor, falo daquela violência verbal, psicológica exercida ano após ano de um sobre o outro, não deixando quase ar para respirar, fazendo com que o alvo da agressão se sinta a cada dia mais inferior, ao ponto não se achar capaz de ser mais nada a não ser a sombra do próprio agressor. Essa violência tantas vezes encoberta, é reflexo da existência de mentes que se sentem inferiores, e que não conseguindo livrar-se desse complexo de inferioridade, o transferem para a outra parte, manipulando constante e continuamente até ganharem a guerra psicológica, e desse modo sentirem-se superiores aos outros. E podemos pensar que isso acontece só aos outros, e acontece a quem não é seguro de si, ou com baixa auto-estima, mas estamos enganados, este campo é demasiado frágil para acharmos que somos capazes de lidar com alguém assim, porque o perfil mais corrente é exactamente a procura de pessoas bem resolvidas, com uma cabeça feita, com uma excelente auto-estima, que com sua a simpatia, a extroversão o agressor consegue conquistar, para depois subjugar lentamente. E neste campo, não podemos dizer que esta situação se passa apenas do homem sobre a mulher, porque o inverso também existe, e qualquer marca deixada por uma situação destas é uma marca difícil de apagar para o resto da vida, porque toca na alma da gente!

Participação no tema de Março

1 de março de 2011

Há dias assim...

Há dias que já nascem diferentes, tem uma cor diferente… tem um riso que alcança a alma mesmo sem lhe tocarmos, parecem abraçar-nos e encher-nos de mimos sem os termos recebido, ou sequer estarmos na presença de alguém. Há dias que acordamos e os olhos brilham com a intensidade dos dias de verão… outros dias são escuros como a noite, onde impera o vazio, as trevas, o silêncio… e sem pensarmos desejamos passar levemente por eles e não nos detemos com medo de nos magoarmos, porque o arrepio na espinha já é o suficiente. Calamos o que se esconde lá no fundo, e nem deixamos os olhos falar… Há dias que temos vontade de gritar ao mundo as dores que carregamos para que nos oiça, e nos devolva a paz… Há dias que sem precisarmos abrir a boca, o coração se aquieta e sente-se selvagem, sem grades que o impeçam de voar… Há dias que são dias de amor, dias de semear… atirar ao vento os sentimentos mais nobres, e esperar que floresçam em rosas e dálias de cores vivas, de perfumes envolventes… Há dias que as tempestades em fúria derrubam tudo e nada deixam para colher, a não ser um réstia de esperança. Sim, aquela que apesar de tudo nos mantém ligados aos sonhos, aquela que acompanha sempre o nascer do sol de todas as manhãs. Há dias de sempre sorrir, mesmo que estes escondam as lágrimas salgadas… há dias que parecemos carregar o mundo nas costas como uma mochila cheia de pedras… há dias que nos livramos do cansaço, jogamos as pedras fora, erguemos a voz em tons mudos e arrebatamos o mundo nas mãos, sem deixar espaço para a tristeza, para a amargura, para a dor, e esquecemos o quanto custa caminhar todos os dias… Há dias que nos sentimos na beira da estrada sem rumo nem destino traçado, fazendo os dias mais longos que as horas… Há dias que nos sentimos mais leves que uma pluma no ar, nem precisamos de nos esforçar para respirar, que tudo flúi, as palavras ditas são as mais certas, até as pausas se fazem no minuto exacto… Há dias que não são dias, sem principio nem fim!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...